Infra S/A está estruturando fundo de investimento imobiliário com áreas de ferrovias

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

A Infra S/A, estatal ligada ao Ministério dos Transportes, está estruturando, em parceria com o BNDES, um FII (Fundo de Investimento Imobiliário) com os terrenos que são patrimônio da companhia obtidos para a implementação de ferrovias no país. A estimativa inicial, que ainda está em processo de avaliação, é que esse fundo possa ter um patrimônio na casa dos R$ 200 milhões, sendo que, desse valor, R$ 50 milhões já estavam previamente avaliados em relação ao patrimônio relativo à Ferrovia Norte-Sul.

De acordo com o presidente da estatal, Jorge Bastos, a ideia é que centenas de áreas que a antiga Valec, estatal de ferrovias que foi fundida com a EPL para formar a Infra S/A, desapropriou para construção de ferrovias ao longo dos anos e que não foram repassadas para as concessionárias que administram as ferrovias federais, possam gerar receitas para a companhia de forma mais rápida e eficiente.

“Estamos buscando soluções inovadoras. Temos que buscar rentabilidade para os nossos ativos para diminuir nossa dependência do orçamento e poder entregar os melhores projetos do país”, disse o presidente da Infra S/A, Jorge Bastos, à Agência iNFRA durante cerimônia realizada na última quarta-feira (4) na sede da empresa, em Brasília, para marcar o primeiro ano de existência da nova companhia, resultado da fusão da Valec e da EPL.

No governo anterior, o planejamento era que fossem feitos arrendamentos de áreas para exploração em contratos de longo prazo. Alguns terminais próximos à Ferrovia Norte-Sul tiveram áreas concedidas para o setor privado para exploração em contratos de arrendamento de longo prazo.

O diretor de Novos Mercados da Infra S/A, Marcelo Vinaud, explicou que esse modelo de concessão é complexo, já que demanda estudos aprofundados de cada área para que possam ser levados à leilão. Segundo ele, como são centenas de terrenos pelo país, a maioria ficaria ociosa por longo período, sem gerar benefícios para a empresa.

A avaliação é que, se os imóveis formarem um FII, o gestor do fundo passa a ter a possibilidade de realizar diferentes tipos de aluguel, com maior flexibilidade de prazo e ocupação de espaço que num arrendamento. E a estatal terá sua remuneração garantida pelo fundo, além de benefícios dos investimentos que serão feitos na economia local com o aluguel de áreas hoje ociosas.

PNL, DT-e e outros projetos
Por isso a escolha de buscar o BNDES para estruturar o fundo e poder rentabilizar as áreas próximas a ferrovias importantes, como a Norte-Sul, a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), por exemplo, informou o diretor de Novos Negócios. 

No evento, que contou com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho, as diretorias apresentaram outros projetos que estão sendo tocados pela Infra S.A., como a criação do novo PNL (Plano Nacional de Logística) 2055, a implementação do DT-e (Documento Eletrônico de Transporte) e a estruturação de dezenas de projetos para concessão, entre eles os de hidrovias, como as do Madeira e do Paraguai.

R$ 280 bilhões
Renan afirmou que a estatal será fundamental para que o governo possa entregar projetos estruturados que, na expectativa dele, seriam capazes de agregar R$ 280 bilhões em investimentos privados nos próximos anos, considerando novos leilões e projetos que estão sendo reestruturados para retomar investimentos.

“Parece muito, mas ainda é aquém da nossa necessidade. Mas é um alento porque vamos colocar as instituições para cuidar das pessoas”, disse o ministro, ressaltando a necessidade de atrair capital privado com a elaboração de bons projetos.

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