Ana Luísa Egues e Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, disse nesta quarta-feira (23) que uma eventual suspensão das exportações de diesel pelos Estados Unidos não representa risco para o fornecimento ao mercado brasileiro pela estatal. O governo americano tem sido pressionado a suspender as vendas do produto para fora em função dos altos preços do combustível no país.
Hoje o mercado brasileiro importa pouco mais de 20% do diesel que consome, sendo a Petrobras responsável por uma fração desse volume externo. A atual gestão da estatal já vinha aumentando a produção própria do insumo e, com o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, redobrou os esforços nesse sentido. “A nossa produção própria atende bastante a nossa demanda”, disse Angélica a jornalistas após painel na ROG 2026 (Rio Oil & Gas 2026), que acontece esta semana no Rio de Janeiro.
Para além dessa produção própria, fontes do setor avaliam que ainda seria possível contar com oferta de outras origens. Seria, portanto, mais um “problema de alta de preço do produto importado” do que de oferta em si.
O Golfo do México (EUA) é a principal fonte de importação de diesel da Petrobras. Por ser listada na Bolsa de Nova York, a companhia não importa produto da Rússia, originação que dominava o mercado brasileiro até a última suspensão das vendas pelo Kremlin. Fontes alternativas aos EUA, para a Petrobras, são, por exemplo, a Índia e outros países asiáticos.
Importações da Petrobras
A Petrobras não prevê importar diesel em novembro, disse Angélica. Segundo a diretora, as compras para outubro já foram realizadas — totalizando 650 mil m³, de diversas origens — e ainda não se sabe se haverá demanda adicional.
“Eventualmente, na falta de algum produto, a gente pode vir a importar. Mas hoje não temos previsão de importação para novembro, a não ser que tenha alguma parada adicional [de refinaria] ou algum evento”, disse a executiva.
Segundo ela, no momento, só a Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), no Paraná, está em parada de manutenção, com todo o restante do parque de refino da Petrobras ativo e com FUT (Fator de Utilização Total) “bastante alto”.
Angélica sinalizou que a falta de previsão de importação de diesel para novembro tem a ver com a superação do período de safra, quando a demanda dos caminhões do agronegócio aumenta.
O alto crack spread do diesel nos últimos meses (diferencial para o petróleo) levou a Petrobras a produzir o máximo possível do derivado no país. No início do ano, a companhia ficou pelo menos dois meses sem importar diesel para evitar aumento de custos ligado à alta dos preços. Isso obrigou agentes privados, que antes compravam o importado via Petrobras, a aumentar suas próprias compras fora do país. Depois, a partir de junho, a estatal voltou com as importações, de forma gradual.






