05/02/2026 | 15h23  •  Atualização: 05/02/2026 | 15h24

Petrobras poderá voltar a perfurar no Amapá um mês após incidente

Foto: Domínio público

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) autorizou a volta da perfuração da Petrobras no mar do Amapá, na Margem Equatorial, um mês depois do vazamento de um fluido de perfuração, que a companhia definiu como biodegradável, na madrugada de 4 de janeiro. A volta das atividades depende, porém, do cumprimento de condicionantes impostas pela agência reguladora.

Em ofício assinado pela Superintendente de Segurança Operacional da ANP, Daniela Coelho, nesta quarta-feira (4), a reguladora diz não haver óbice à volta da perfuração do poço, de nome “Morpho”, desde que cinco condições sejam atendidas, sendo a mais importante a troca do equipamento que apresentou problema.

As condicionantes são, nesta ordem: trocar os selos das juntas do riser, o tubo temporário que conecta o poço à unidade de perfuração flutuante na superfície; apresentar evidências dessa troca até cinco dias após a instalação da última junta do riser; apresentar evidências de treinamento para todos os colaboradores envolvidos na perfuração; revisar o plano de manutenção preventiva, reduzindo o intervalo para coleta de dados de 20 para 10 dias nos primeiros dois meses, mas voltando ao intervalo anterior posteriormente; e usar as 15 juntas de riser reservas somente após o envio dos certificados de conformidade à ANP.

Histórico
No início de janeiro, o vazamento do fluido de perfuração foi constatado pela Petrobras durante a inspeção de um robô subaquático na linha flexível, a uma profundidade de 2.700 metros. Foram liberados ao mar 18.440 litros de produto, entre vazamento e escapamento durante reparo.

Na ocasião, a estatal minimizou o vazamento do produto químico nas duas linhas que conectam a sonda de perfuração ao poço, alegando contenção e isolamento imediatos. A companhia reforçou que o fluido utilizado atenderia aos “limites de toxicidade permitidos, sendo biodegradável”, o que descartaria dano ao meio ambiente ou às pessoas. Nos bastidores, a avaliação é de que a repercussão se deveu ao contexto prévio de sensibilidade da operação, cujo licenciamento por órgãos ambientais levou anos.

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