07/08/2026 | 14h21  •  Atualização: 07/08/2026 | 14h23

Petrobras: Produção maior alavancou exportações de óleo, mesmo com mais refino

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, afirmou nesta sexta-feira (7) que o recorde de produção de óleo e gás da Petrobras no segundo trimestre permitiu à companhia aumentar as exportações de petróleo, mesmo com um aumento do refino para atendimento ao mercado doméstico de combustíveis.

De abril a junho a estatal exportou 996 mil barris por dia, um aumento de 44,3% com relação ao mesmo período de 2025 e de 12,2% na comparação com o trimestre anterior.

“Mesmo processando mais óleo em nossas refinarias, a produção foi tão maior que a gente aumentou o refino e ainda aumentamos a exportação de todos os produtos brasileiros. A companhia já vinha em nível alto de exportação e conseguimos elevar ainda mais isso no segundo trimestre”, disse Melgarejo.

Mais e mais caro
Segundo o diretor, além de aumentar os volumes remetidos ao exterior, a Petrobras ainda conseguiu fazê-lo a preços maiores. “Alcançamos uma eficiência muito positiva na precificação das cargas de petróleo, o que melhorou ainda mais a situação de fluxo de caixa da companhia”, afirmou.

De fato, o salto nas receitas com exportações de petróleo superou o aumento no volume vendido pra fora, somando R$ 52,3 bilhões no período, alta de 107,4% ante o mesmo trimestre do ano anterior e de 73,9% ante os três meses imediatamente anteriores. Os valores auferidos seriam ainda maiores, não fosse o imposto de 12% sobre exportações de petróleo, que custou R$ 4,8 bilhões à Petrobras no período, conforme apontado em balanço.

O avanço maior na receita se explica, em boa medida, pela alta de 54,1% na cotação do petróleo na comparação interanual, passando de US$ 67,82 a essa altura do ano passado para US$ 104,52 agora.

No relatório financeiro divulgado ao mercado na noite desta quinta-feira (6), a Petrobras escreveu que a maior exportação foi viabilizada não só pelo aumento da produção, mas também pela “realização de exportações que estavam em curso no primeiro trimestre, além do aumento da cotação do Brent”.

Destinos
A maior parte das exportações de óleo bruto da Petrobras no segundo trimestre, 71%, foram para a Ásia: a China ficou com 35% do total, seguida de Índia (22%) e outros países do continente asiático (14%).

Os dois últimos destinos ampliaram suas participações tanto na margem quanto em relação ao mesmo período do ano passado. A China tinha ficado com 62% das cargas vendidas pela Petrobras nos três primeiros meses do ano e viu sua participação cair quase à metade, ainda que a tendência seja de queda menor nos volumes destinados ao país, uma vez que as vendas gerais da Petrobras aumentaram.

De abril a junho, os países europeus ficaram com 18% do total, ampliando participação, enquanto os Estados Unidos compraram apenas 2% dessas cargas – o país já não vinha comprando petróleo da Petrobras de forma relevante.

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