10/09/2026 | 15h42  •  Atualização: 10/09/2026 | 15h48

Petrobras realizou 60% das análises de due diligence em seus fornecedores

Foto: André Motta de Souza/Petrobras

Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA

A Petrobras já realizou cerca de 60% das análises de due diligence de direitos humanos em seus fornecedores relevantes, informou o diretor executivo de Governança e Conformidade da estatal, Ricardo Wagner de Araújo, durante evento promovido pela Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo) nesta quinta-feira (10).

No âmbito dos direitos humanos, o due diligence, que é uma investigação e análise de riscos feita antes de uma transação comercial, avalia questões como trabalho infantil e análogo à escravidão, assédio moral e sexual, e discriminação, entre outros pontos de atenção. A Petrobras tem como meta avaliar todos os fornecedores relevantes até 2030.

“Temos um grande desafio, por exemplo, nas apurações de casos de assédio sexual. O objetivo, segundo o nosso plano de negócio, é assegurar, até 2030, o encerramento das apurações de violência sexual com prazo médio de 60 dias. No entanto, quem trabalha em empresa pública sabe que um processo disciplinar leva de oito meses a um ano, em média. E tudo o que a gente não quer é punir alguém indevidamente, mas também não queremos manter alguém que é assediador na companhia”, levantou Araújo.

O evento promovido pela Abespetro teve como objetivo debater a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), que passou a prever expressamente a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais das organizações. A norma entrou em vigor no dia 26 de maio deste ano. Segundo o TST (Tribunal Superior do Trabalho), a mudança ocorreu em meio ao avanço dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil.

Para o diretor executivo, o tema é ainda mais relevante quando o ambiente de trabalho é uma plataforma offshore. “Costumo dizer que o gerente de plataforma é praticamente um prefeito, e não somente por conta da quantidade de trabalhadores embarcados. O gerente resolve questões técnicas, mas também precisa ter a atenção devida às questões psicossociais. Dentro de uma plataforma, todo mundo depende de todo mundo, e isso não só quando acontece um acidente, é no dia a dia mesmo”, explicou Ricardo.

O gerente de Comissões e Gestão do Conhecimento do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Lisandro Gaertner, informou que houve um aumento de 84,6% no número de trabalhos técnicos sobre saúde mental e riscos psicossociais na indústria submetidos na ROG.e 2026 (antiga Rio Oil & Gas) em comparação com a edição anterior, realizada em 2024. “De 13 trabalhos, passamos para 24 submetidos neste ano. Isso é significativo e mostra que a NR-1 não é o fim dessa discussão, é só mais uma etapa”, afirmou Gaertner.

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