22/10/2026 | 17h06

PPSA celebra ágio de 35% e prevê gás a US$ 5,83/MMBtu em leilão

Foto: PPSA

Gabriel Vasconcelos e Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA

O presidente da PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.), Luis Fernando Paroli, definiu o primeiro leilão de gás da União, realizado nesta quinta-feira (22), como “grande sucesso” e “marco para a indústria nacional” devido à demanda superior à oferta e à consequente venda de todos os 110 lotes de 10 mil m³/dia. O certame alcançou um ágio médio de 35% em cima do prêmio mínimo, de US$ 1,80/MMBtu.

Ao todo, 23 empresas levaram cargas de gás a serem entregues entre março e dezembro de 2027. Elas integram as indústrias química e petroquímica; de mineração, metalurgia e siderurgia; vidreira; ceramista; e de fertilizantes. No grupo estão empresas como Vale, Braskem, Gerdau, Ternium e Yara, entre outras.

Gás mais barato
Segundo a PPSA, o prêmio médio ficou em US$ 2,44/MMBtu e, com isso, a molécula deverá chegar à indústria com um preço médio estimado de US$ 5,83/MMBtu, bem abaixo dos valores de comercialização atuais, entre 10% e 12% do valor do Brent (cuja cotação média superou os US$ 100 em outubro).

Esse valor de US$ 5,83/MMBtu considera a soma de 115% da cotação do Henry Hub (EUA) de setembro – US$ 2,98/MMBtu – e o prêmio médio. Esse preço ainda não considera custos de transporte.

O valor a ser pago efetivamente pela molécula leiloada vai variar de setor para setor em função do prêmio de cada disputa, que foi de US$ 1,82/MMBtu a US$ 4,01/MMBtu, mas também em função da cotação futura do Henry Hub (EUA). Segundo especialistas ouvidos pela Agência iNFRA, essa parcela não deve mudar tanto ao longo de 2027, permanecendo ao redor de US$ 3,04/MMBtu.

Demanda maior que oferta
Em discurso após o fim do certame, Paroli afirmou que o leilão prova uma demanda industrial por gás “muito maior” que o consumo e a oferta atual, marcada por preços altos.

“A demanda é muito maior do que a gente imaginava. Quando a gente divide a nossa produção de 1,1 milhão de m³/dia que a gente colocou no leilão em cinco setores e todos eles compram 100% da produção, significa que tínhamos demanda reprimida”, disse Paroli. Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), a demanda total dos participantes foi de 1,5 milhão de m³/dia, acima do volume disponível.

“A competitividade da indústria nacional aumentou hoje. Significa que os preços internos vão cair. Significa que a nossa capacidade de exportar vai aumentar, e que a defesa contra importados está feita porque a nossa indústria vai ser mais competitiva e vai resistir”, continuou.

Arrecadação
A PPSA estima arrecadar R$ 376 milhões com este primeiro leilão. Segundo Paroli, a estatal colocou uma margem limitada no seu preço inicial, considerando fórmula e prêmio mínimo, mas vai arrecadar em função da competição entre os participantes.

“Hoje descobrimos qual é a diferença entre o custo que a PPSA tem e a capacidade de pagamento de cada um dos segmentos [industriais]. Nós conseguimos descobrir que eles são capazes de pagar ainda mais, tanto que a competição levou a isso. E isso vai evoluir ao longo dos próximos leilões”, disse, sinalizando que os valores mínimos podem ser calibrados à frente.

Atualmente, a PPSA vende os volumes na boca do poço para a Petrobras, que atua como agente comercializador, escoando e tratando os volumes, e depois recompra o produto da petroleira estatal na saída da UPGN (Unidade de Processamento de Gás Natural), o que embute um custo a ser compensado, depois, com o valor de venda da molécula em leilão.

Próximas etapas
O próximo passo para a conclusão do leilão é a assinatura dos contratos, prevista para a primeira quinzena de dezembro.

O gás natural leiloado será entregue aos compradores a partir de março de 2027 na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí (RJ), da Petrobras, localizada no Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj.

A partir desse ponto, caberá às empresas vencedoras contratar o serviço de transporte, diretamente ou por meio de uma comercializadora habilitada junto à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), garantindo a chegada do gás às unidades consumidoras.

Leilão de 2027
Paroli afirmou, também, que em 2027 será realizado novo leilão, de 1,8 milhão de m³/dia para entrega em 2028. Ele destacou o aumento de mais de 50% no volume a ser ofertado ante a carga deste ano.

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