09/01/2026 | 07h00  •  Atualização: 09/01/2026 | 14h32

SGB recorre a parceria com estados para mapear minerais críticos

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

Estados que dividirem a conta com o governo federal para mapear minerais críticos, hoje no centro de disputas geopolíticas, vão ter preferência para receber recursos de levantamentos geofísicos previstos para 2026. 

Esse serviço especializado – que vai indicar a ocorrência de minerais críticos da transição energética – é uma parte do mapeamento geológico que o SGB (Serviço Geológico do Brasil), vinculado ao MME (Ministério de Minas e Energia), realiza para identificar o tamanho das reservas desse tipo de mineral no país. 

Em entrevista à Agência iNFRA, Francisco Valdir Silveira, diretor de geologia e recursos minerais do SGB, explicou que as parcerias, além de aumentar o ritmo do mapeamento do subsolo brasileiro, premiam estados que entenderam a relevância do trabalho para estimular investimentos no setor mineral. Os dados coletados serão disponibilizados ao mercado.

O diretor do SGB afirmou que a estatal mantém tratativas com os governos da Bahia, Minas Gerais, Goiás e Tocantins. Segundo ele, estes são estados indicados no PlanGeo 2025-34, planejamento preparado pelo governo para o horizonte de dez anos. 

“Essa é uma moeda de troca que a gente tem”, afirmou o diretor do SGB sobre a priorização dos estados. “Como é um trabalho contratado, não depende da nossa mão de obra. Só depende da nossa gestão e de ter o recurso financeiro disponível”, acrescentou, ao explicar por que o ritmo de execução do contrato está atrelado à disponibilidade de recursos.

Em novembro, Valdir Silveira afirmou, enquanto presidente substituto do SGB, que o país levaria mais de cem anos para conhecer de forma apropriada – em escala cartográfica mais precisa – seu território seguindo no ritmo atual de pesquisa. A avaliação considera a necessidade de partir para a fase seguinte com trabalho de campo dos pesquisadores da estatal. 

Ele defende que a maior disponibilidade dos dados aerogeofísicos, somada ao forte interesse pelos minerais críticos, vai permitir a estruturação de projetos melhores, capazes de captar recursos no mercado, apesar do risco ainda elevado de encontrar depósitos sem viabilidade econômica. 

‘Junior companies’
Segundo Valdir Silveira, um dos principais objetivos da estratégia é atrair o interesse das “junior companies” engajadas na corrida por minerais críticos. Ele disse que o nível de detalhamento trazido pelas imagens aéreas reduz o risco das fases de pesquisa e certificação das novas jazidas.

Também serão disponibilizadas as informações sobre a ocorrência de outros bens minerais valorizados no mercado internacional (como ouro e minério de ferro) e aqueles classificados como críticos no contexto nacional, dado o risco de escassez de insumos da produção de alimentos (como potássio e fosfato).

O diretor do SGB enfatiza o papel das junior companies diante da saída de cena das grandes mineradoras dessa etapa de desenvolvimento da cadeia. “Empresas grandes não investem mais na pesquisa básica, são poucas as que fazem isso. Elas esperam que as juniors companies descubram os depósitos. Depois, chegam lá e compram, se for de interesse. Hoje, é desse jeito que funciona”, afirmou Valdir Silveira.

Ao receberem os dados que serão produzidos, explica, as junior companies terão condições de dedicar esforços para uma prospecção “mais assertiva”, diminuindo o risco exploratório e atraindo capital para o desenvolvimento dos projetos de minerais críticos. Dados do Tocantins devem ser entregues em ainda no primeiro semestre de 2026.

“Quando o dado chegar, ele será trabalhado pelos geofísicos do Serviço Geológico para atestar a qualidade. Se disserem ‘olha, o dado é todo bom’, eles já vão soltar os primeiros mapas”, disse o diretor.

Retomada
A varredura de áreas para identificar novas províncias minerais foi retomada pelo SGB no ano passado, na região sudeste do Tocantins. Há dez anos, os trabalhos haviam sido interrompidos, em consequência de medidas de contenção de despesas públicas. Esse trabalho voltou a ser priorizado no início do mandato com a previsão de recursos no Novo PAC, a terceira etapa do Programa de Aceleração do Crescimento.

Valdir Silveira disse que a missão Tocantins deve ser concluída até fevereiro. O projeto prevê a cobertura de 20,3 mil km² ao custo de R$ 10,4 milhões. De acordo com a estatal, a área foi escolhida por ser favorável à ocorrência de minerais estratégicos, como ouro, cobre, níquel, fosfato, terras raras e grafita. Isso ocorre com o reconhecimento do campo magnético, da radiação natural e de outras características geofísicas das formações rochosas.

‘Raio x’ do subsolo
A coleta de dados aerogeofísicos é feita com equipamentos embarcados em aviões de pequeno porte. Os sobrevoos são realizados em linhas, com espaçamento de 250 metros entre si, e a uma altura aproximada de 100 metros. Ao todo, vinte municípios do estado passam por uma espécie de “raio x” do território coberto. Três técnicas são usadas para captar o campo magnético (magnetometria), a radiação natural das rochas (gamaespectrometria) e o campo gravitacional (gravimetria strapdown) no solo e no subsolo.

Valdir Silveira ressalta que tanto a tecnologia quanto o contrato evoluíram desde a última licitação, encerrada em 2015. Ele explicou que as imagens capturadas ganharam mais resolução e a licitação abarca “o Brasil como um todo” – não é fragmentada como antes, com contratos por região.

O diretor disse que o novo levantamento também atende demandas ligadas à segurança hídrica e à ocorrência de hidrocarbonetos (óleo e gás). Isso porque o ciclo anterior não incluía informações sobre formação de aquíferos (como rios e lençóis freáticos) e bacias sedimentares.

Falta de recurso
A aproximação dos estados é justificada pela previsão de falta de recursos no orçamento do SGB em 2026. De acordo com o diretor, seriam necessários R$ 80 milhões anuais para a estatal responder à demanda por esse estudo aerogeofísico. Valdir Silveira mencionou que o Novo PAC prevê apenas R$ 8 milhões (10% do esperado) para os estudos aerogeofísicos em 2026. Este valor, segundo o diretor, representa metade dos R$ 17 milhões programados para essa mesma rubrica em 2025. Ao longo do ano, esse valor encolheu para cerca de R$ 11 milhões após o contingenciamento.

O contrato atual, que marcou a retomada dos levantamentos aerogeofísicos, foi assinado em outubro de 2025. Na licitação em ata de registro de preços, realizada em março, venceu a empresa LASA Prospecções, do grupo Xcalibur Smart Mapping, sediado na Espanha.

Outra vantagem do contrato atual, apontada pelo SGB, é a redução de custo. O contrato de 2015 foi orçado em R$ 1 bilhão. Agora, além da tecnologia mais avançada e maior abrangência territorial, a despesa foi estimada em R$ 700 milhões para pagamento do “pacote completo”.

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