04/02/2026 | 11h14  •  Atualização: 05/02/2026 | 11h06

STJ suspende decisões favoráveis a distribuidoras contra RenovaBio

Foto: Governo do Mato Grosso do Sul

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O ministro Luis Felipe Salomão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), suspendeu nesta terça-feira (3) seis decisões de instâncias inferiores da Justiça, entre liminares e sentenças, que favoreciam pequenas distribuidoras de combustíveis fósseis contra o RenovaBio.

O programa de descarbonização da cadeia de óleo e gás obriga as distribuidoras a comprarem CBios (créditos de descarbonização) gerados por produtores de biocombustíveis. Salomão acolheu pedido da União e da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que alegavam “grave lesão à ordem e economia públicas”.

Pequenas e médias distribuidoras questionavam na Justiça as metas do RenovaBio impostas pela ANP. Como solução, propunham depósitos judiciais em valor equivalente a suas emissões de carbono e calculadas por consultorias independentes. Isso passou a basear dezenas de decisões na primeira instância e tribunais regionais federais que suspendiam a incidência do programa sobre essas empresas, permitindo que elas operassem à margem do RenovaBio.

A decisão do STJ reverte esse quadro ao suspender essas decisões até o julgamento de apelações nos tribunais de origem dos casos ou até o trânsito em julgado.

ANP
Em nota, a ANP disse que a decisão do ministro “reforça a segurança jurídica do programa e reconhece a atuação coordenada da agência, do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) e do MME (Ministério de Minas e Energia) para assegurar a integridade regulatória e o cumprimento das metas nacionais de descarbonização”.

“A decisão do STJ reforça a importância do RenovaBio como instrumento estruturante da política energética e climática brasileira, promovendo uma transição energética justa, incentivando investimentos, gerando empregos e fortalecendo a competitividade do setor de biocombustíveis”, continuou a agência.

ICL
O ICL (Instituto Combustível Legal) também disse, em nota, que a decisão do STJ reforça a segurança jurídica e a integridade do RenovaBio. O ICL é financiado por 16 produtores e distribuidores de combustíveis e lubrificantes, à exemplo de Vibra, Raízen e Ipiranga, empresas diretamente interessadas na decisão, que incide sobre distribuidoras concorrentes.

“Ao reconhecer o risco de grave lesão à ordem administrativa e à economia pública, o tribunal preserva a aplicação uniforme das metas de descarbonização definidas em lei, evita distorções concorrenciais no mercado de combustíveis e protege a efetividade de uma política pública central para a redução de emissões”, escreveu o instituto.

Ainda segundo o ICL, a decisão é “fundamental” para “coibir atalhos judiciais” que seriam usados por alguns players como estratégia comercial para obter vantagem concorrencial”. Além do impacto econômico, diz a entidade, essa estratégia também fragiliza incentivos ambientais ao desestimular o cumprimento das metas de descarbonização.

*Texto atualizado às 20h51 de quarta-feira (4) com informações adicionais.

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