Um país sem infraestrutura é uma nação sem base

Daniel Rizzotti*

No cenário global, a infraestrutura é a espinha dorsal que sustenta o desenvolvimento econômico e social de uma nação. No Brasil, temos a necessidade urgente de investir e aprimorar nossa infraestrutura.

O novo ano promete ser produtivo, com obras previstas no calendário do governo federal e da iniciativa privada, impactando diretamente diversos setores fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico, como saneamento, transporte, energia e telecomunicação. Somente o Novo PAC, lançado em agosto, deve aportar R$ 1,7 trilhão em todos os estados do Brasil, sendo R$ 1,4 trilhão até 2026 e os R$ 300 bilhões restantes após esta data.

Nos últimos 20 anos foram investidos, R$ 1 trilhão em infraestrutura, segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Uma quantia modesta, se a dividirmos por duas décadas. Um reflexo disso é que o Brasil ainda possui gaps importantes em setores essenciais.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que 1.935 dos 5.570 municípios brasileiros ainda registram epidemias ou endemias relacionadas à falta ou deficiência de saneamento básico, cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada e metade da população não têm serviços de coleta de esgoto. Dos efluentes coletados, apenas 45% são tratados.

Nossos portos e estradas também precisam de melhorias. Segundo um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o setor portuário estima um gasto adicional de R$ 2,9 bilhões a R$ 4,3 bilhões, por ano, com a demora na liberação de cargas e custos administrativos.  A falta de investimentos em infraestrutura implica diretamente na competitividade do país no panorama internacional.

Mesmo assim, o cenário é otimista e segue em ascensão, com 20% de crescimento registrado em 2023 para investimentos em infraestrutura, segundo pesquisa da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

Responsável por obras emblemáticas e há quase 80 anos no mercado, temos um bom termômetro desta evolução, com crescimento de 150%, em 2023, em comparação ao desempenho de 2022. Para este ano, as nossas projeções já apontam aumento de 50% no volume de obras.

Na Carioca Engenharia, entendemos que não há progresso sustentável sem uma infraestrutura robusta e eficiente. Atualmente, estamos envolvidos em obras como a ampliação do Porto do Rio de Janeiro e em melhorias em prol do saneamento básico da cidade de São Paulo e no estado do Rio de Janeiro. Oportunidades que geraram emprego, renda, novos negócios e qualidade de vida.

Entendemos que o censo de urgência das obras também suscita alguns desafios importantes, como o de qualificação de pessoas e o tecnológico e, fazendo com que as empresas invistam em equipamentos eficientes, que atendam aos prazos dos contratos, e profissionais capacitados a operá-los. Investimos em tecnologias de ponta para garantir que nossos projetos estejam na vanguarda, promovendo a eficiência operacional e a minimização de impactos ambientais.

O Ramlift, por exemplo, equipamento de propriedade da Carioca e que está sendo utilizado na obra do Porto do Rio de Janeiro, diminui o tempo gasto para a fundação da estaca, que passa a ser feito em poucas horas.

Um equipamento convencional desprende mais de um dia por estaca, com o agravante de que a soldagem dos segmentos seria executada no mar, sem a qualidade proporcionada pela soldagem realizada no canteiro de obras. Precisamos estar preparados para esta revolução que deve acontecer nos próximos anos e as oportunidades emergem a cada dia.

Em um horizonte próximo, alguns desafios também funcionarão como mola propulsora e devem ser abraçados pelas empresas do setor, como o movimento em prol da transição energética, a nova Lei de Licitações (14.133/2021)e o Marco Regulatório do Saneamento. Investimentos necessários e compatíveis com o desenvolvimento de qualquer nação em franco crescimento.

Sem saneamento adequado, não conseguimos diminuir as desigualdades e não avançamos nas agendas globais de desenvolvimento humano. Sem bons portos e estradas, não aumentamos nossa capacidade de importação e exportação, diminuímos oportunidades.

Estamos na base da pirâmide, impulsionando a qualidade de vida e proporcionando um ambiente de negócios mais favorável para diversos setores da economia. Ao enfrentarmos esse desafio com determinação e inovação, construímos um futuro mais próspero e resiliente para todos os brasileiros.

*Daniel Rizzotti é diretor-geral da Carioca Engenharia.
As opiniões dos autores não refletem necessariamente o pensamento da Agência iNFRA, sendo de total responsabilidade do autor as informações, juízos de valor e conceitos descritos no texto.

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