Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
O diretor de Política de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural do MME (Ministério de Minas e Energia), Carlos Agenor, disse nesta segunda-feira (1º) que o próximo leilão de concessão da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) terá “predominantemente” blocos em terra. Isso vai tornar o certame menos atraente para as maiores empresas do setor, focadas em blocos no alto mar. Agenor falou em seminário realizado da PPSA (Pré-Sal Petróleo) no Rio de Janeiro.
O diretor do MME não deu detalhes, mas, segundo fontes do governo, esse predomínio de ativos onshore se deve ao vencimento das manifestações conjuntas do MME e MMA (Ministério do Meio Ambiente) que permitem oferecer a maior parte dos blocos offshore ao mercado. Entre os novos blocos onshore que podem vir a ser ofertados, caso a ANP os inclua na oferta, estão ativos em Minas Gerais, na Bacia de São Francisco, e na Bahia, nas Bacias do Recôncavo e de Tucano, e Tacutu, na fronteira de Roraima com a Guiana.
No mar da margem equatorial, por exemplo, só oito blocos na Bacia do Ceará podem ser ofertados atualmente: um que já está na prateleira e mais sete novos blocos, que obtiveram o aval conjunto dos ministérios (manifestação conjunta) e aguardam inclusão no edital pela ANP. Perderam suas manifestações conjuntas, por exemplo, blocos da Bacia da Foz do Amazonas, no Norte, e da Bacia de Pelotas, no Sul, que despertaram forte interesse das empresas nos últimos certames desse tipo.
A Agência iNFRA apurou que o MME dialoga com a pasta do Meio Ambiente para assinar novas manifestações de interesses, sobretudo para blocos na parcela norte da Bacia de Pelotas e próximos ao bloco cuja perfuração a Petrobras está licenciando junto ao Ibama, no Amapá. Há, também, tratativas para a renovação dos documentos relativos a áreas nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. A tendência, porém, é que o MMA passe a exigir as chamadas AAAS (Análise Ambiental de Área Sedimentar), um processo mais longo, para alguns dos blocos carentes de autorização.
A matéria foi atualizada em 2 de setembro para corrigir a localização dos oito blocos na Bacia do Ceará. Havia sido informado, de forma incorreta, que os ativos estavam no litoral de Pernambuco.





