16/03/2026 | 08h00  •  Atualização: 16/03/2026 | 11h40

SP prepara regulação para incluir drenagem em novos blocos de saneamento

Foto: Rogério Cassimiro/Governo do Estado de SP

Beatriz Kawai e Amanda Pupo, da Agência iNFRA

O governo de São Paulo vai prever nos contratos de concessão dos novos blocos de saneamento um arcabouço regulatório para a prestação dos serviços de drenagem nos municípios que aderirem ao novo desenho de regionalização. Em entrevista à Agência iNFRA, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende, explicou que a pasta tem “estudado muito” como irá deixar esse ambiente regulatoriamente preparado para que futuramente os municípios possam negociar com os operadores a integração dos serviços de esgotamento sanitário e abastecimento de água com a atividade de drenagem.

“Estamos fazendo todo o mapeamento jurídico, regulatório, para fazer essa interação com segurança, reduzindo riscos e melhorando a resiliência hídrica”, afirmou Resende. A possibilidade de os serviços de drenagem e manejo de águas da chuva serem integrados aos novos blocos de saneamento foi oficializada no projeto de lei que reorganiza a regionalização do estado – preservando o bloco atendido pela Sabesp.

É o PL (Projeto de Lei) 1.083/2025, aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) no início do mês. De autoria do governo estadual, ele foi proposto após a primeira tentativa de divisão, de 2021, só ter dado certo com o grupo que já era atendido pela Sabesp, privatizada três anos depois.

“Estamos fazendo benchmarking com outros lugares do mundo, como é que eles tratam drenagem, como isso é considerado nos contratos, nas bases de ativo, e como olhamos isso frente à jurisprudência que existe no Brasil”, observou a secretária.

Financiamento
O modelo do contrato será colocado em consulta pública pelo governo estadual dentro do UniversalizaSP, que vai buscar a adesão dos municípios à nova regionalização estadual. No programa, o estado vai criar a possibilidade de os municípios terem seus próprios fundos para recebimento de recursos vinculados à futura concessão.

Esse dinheiro pode ser usado, por exemplo, para financiar a contratação dos serviços de drenagem com o operador de saneamento que arrematar o bloco, ou até mesmo para que o município invista diretamente, num primeiro momento, na atividade – o que já acontece na unidade regional que é atendida pela Sabesp em água e esgoto.

Hoje, o principal desafio para o desenvolvimento da drenagem no Brasil é a ausência de uma cobrança específica para essa atividade nos municípios, o que faz com que o segmento seja o mais atrasado dentro do saneamento. Segundo estudo do Trata Brasil realizado no ano passado, apenas 2,3% das cidades brasileiras informaram fazer alguma cobrança pela operação da drenagem e manejo de águas da chuva.

“Também no Universaliza vamos criar essa possibilidade de o município fazer o seu fundo, receber, aí ele contrata a atividade ou o recurso pode retroalimentar o contrato de concessão”, explicou Resende, pontuando que ainda há outras fontes potenciais de recursos.

O arcabouço regulatório que está sendo criado também deve prever uma vinculação à existência e ao desenvolvimento de planos municipais para a drenagem. “Não adianta simplesmente fazer a obra. Em paralelo, temos ido comitê a comitê de bacia para ajudar os municípios a atualizar seus planos”, disse a secretária.

Eficiência operacional
Resende observou que a integração com os serviços de água e especialmente esgoto promoveria uma eficiência operacional importante para o setor de saneamento. “Muitas vezes você tem uma intersecção muito forte entre a drenagem e a rede de esgoto. Tanto que o que acontece muitas vezes onde não tem redes de drenagem robustas, é que chove, a água da chuva entra na rede de esgoto e causa a extravasação. Por isso da importância de a gente olhar o conjunto”, afirmou.

Segundo ela, junto com a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), o estado também está verificando eventuais integrações dentro da unidade atendida pela Sabesp – ponderando que o foco do bloco neste primeiro ciclo é a universalização dos serviços de água e esgoto. “De qualquer forma, como a questão da drenagem inclusive tem impacto nas redes de esgoto, temos estudado, vendo a questão de mitigação de riscos e análise regulatória”, explicou.

PL altera lei de 2021
No PL da nova regionalização do estado aprovado pela Alesp no último dia 3, os deputados também acrescentaram que a inclusão dos serviços de drenagem deverá obedecer às prerrogativas estabelecidas no PERH (Plano Estadual de Recursos Hídricos).

O projeto, que agora aguarda sanção do governador Tarcísio de Freitas, foi aprovado por 53 votos a 14 e altera a Lei 17.383/2021, extingue as URAEs (Unidade Regional de Saneamento Básico) 3 e 4 e engloba todos os 274 municípios paulistas que a Sabesp não atende na URAE-2. As unidades de saneamento são incentivadas pelo marco legal de 2020 para dar viabilidade financeira e escala às concessões.

Até então, o estado de São Paulo era dividido em quatro URAEs. Contudo, o único bloco que teve êxito foi a URAE-1, que reúne as 371 prefeituras já atendidas pela Sabesp. Agora, a ideia é subdividir a nova unidade regional em mais de um bloco, número que ainda vai depender de análises e da adesão dos municípios.

Mudanças
Conforme o PL, a divisão das “sub-URAEs” deverá considerar pelo menos um dos seguintes critérios: disposição das bacias hidrográficas ou UGRHI (Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos); possibilidade de compartilhamento de infraestrutura; viabilidades técnica, operacional, econômica, financeira ou regulatória.

Os parlamentares adicionaram a essa lista aspectos sociais e ambientais, como vulnerabilidade hídrica, risco climático e capacidade de adaptação dos municípios frente a eventos extremos. Outra inclusão aprovada foi a previsão de apoio do Fausp (Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento no Estado de São Paulo) aos projetos.

A princípio, o Fausp atende apenas a URAE-1, tendo sido criado na mesma lei que aprovou a privatização da Sabesp, ajudando com investimento em áreas vulneráveis e subsidiando a conta de famílias beneficiárias da tarifa social. Contudo, após preocupações de deputados sobre apoio também à URAE-2, o fundo foi acrescido no PL 1.083.

Apoio do fundo
Resende explicou que o fundo pode ser usado em eventuais apoios, contraprestação, outorgas cruzadas, mas seu foco é como recurso de ajuda em áreas mais vulneráveis na URAE-1. “O Fausp está focado na URAE-1, mas não obsta da gente, por exemplo, também fazer uma retroalimentação em relação a eventuais outorgas dentro do fundo para as outras URAEs”, disse.

No caso da URAE-1, o fundo recebe 4% da receita da Sabesp uma vez por trimestre.

“É um estímulo a mais, uma receita que ajuda muito, principalmente municípios menores, onde estamos estudando formas de integrar, cada vez mais, porque a gente coloca [a previsão do recurso] dentro do contrato”, destaca.

O PL ainda inclui emenda que estabelece a publicação de um relatório anual de cada bloco sobre as metas de universalização, tarifas praticadas, investimentos realizados e previstos, indicadores de qualidade e desempenho dos serviços. Os documentos deverão ser disponibilizados ao público.

Como a Agência iNFRA mostrou em fevereiro, Resende quer a maior adesão possível dos municípios, agora com incentivos de subsídios financeiros, para agrupá-los em subunidades para o leilão previsto para setembro ou outubro. O número de blocos ainda será definido e depende das adesões, mas provavelmente serão concedidos em formato de PPPs (Parcerias Público-Privadas) – ou ao menos a maior parte deles.

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