13/03/2026 | 19h20  •  Atualização: 13/03/2026 | 19h22

Aéreas pedem extensão de alívio no diesel para combustível de aviação

Foto: Petrobras/Divulgação

Amanda Pupo, da Agência iNFRA

As empresas aéreas estão pleiteando ao governo que a medida para tentar conter a alta do diesel em razão da guerra no Oriente Médio também se estenda ao combustível de aviação, o QAV. No final de fevereiro, a Petrobras já repassou a alta do petróleo que começou a ser sentida nos primeiros dias do conflito, reajustando o insumo em 9,4% a partir de março. O receito é que agora, diante da escalada ainda maior do Brent e da instabilidade sobre o futuro da guerra, o próximo reajuste do QAV seja em patamares vistos como “desastrosos” para a aviação e o preço das passagens aéreas, que já são alvo de reclamação.

O pleito para que o benefício concedido ao diesel seja estendido ao combustível de aviação – mesmo que eventualmente num formato diferente – é externado pela Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). O presidente da entidade, Juliano Nonam, disse que o setor também tem conversado com integrantes do governo para pedir “calma” da Petrobras nos reajustes. Precificado com base no mercado internacional, o QAV é o principal peso na estrutura de custos das aéreas, girando em torno de um terço.

“Temos que lembrar que mais de 80% do combustível de aviação é produzido no Brasil. Então, não é que os custos da Petrobras também vão aumentar. Há condição de fazer um negócio com mais calma, paulatino. A Petrobras consegue ir fazendo um amortecimento tanto na subida como numa eventual descida também dos preços”, afirmou Noman à Agência iNFRA.

No caso do diesel, o governo Lula anunciou na quinta-feira (12) a zeragem na tributação de PIS/Cofins, além de autorizar a subvenção aos produtores domésticos. Para o presidente da Abear, “faz muito sentido” que o QAV tenha o mesmo tratamento, até porque, segundo ele, o efeito fiscal seria largamente menor que no caso do diesel, em razão da proporção de volume de venda entre os dois insumos. “Nós somos menos de 10%”, afirmou.

Noman argumentou que a situação não seria inédita, já que o QAV foi contemplado com isenções em 2022, quando a guerra entre a Rússia e a Ucrânia impactou os preços do petróleo. “É momento superpositivo para o setor aéreo. Faz muito pouco sentido dar um cavalo de pau, reverter isso agora. A nossa expectativa é que isso seja temporário”, disse.

O presidente da Abear lamentou a atual situação no ano em que as aéreas estão planejando expansões, após um período difícil em que as três principais empresas que atendem ao mercado doméstico – Latam, Gol e Azul – passarem por processos de recuperação judicial.

“Isso tudo acontece no momento em que as empresas estão expandindo, falando em trazer aviões, eventualmente atender a novos destinos. Então é preocupante”, disse o executivo, observando que os efeitos sobre o QAV e o dólar podem atrapalhar esses planos, além do impacto direto que é sentido no preço das passagens aéreas. “O problema é o impacto no planejamento. Depois é difícil voltar atrás, quando já deixou o avião para ser recebido em outro ano, já desmobilizou contratação de pilotos”, disse.

Segundo ele, enquanto a cotação do dólar estava num patamar mais favorável em relação ao real, o aumento do combustível ainda estava de certa forma sendo amortecido. Mas a situação mudou com o novo comportamento da moeda nos últimos dias. “A guerra teve dois efeitos. O dólar agora está subindo de novo um pouco. Não como o combustível, mas ele deixou de ser um item que amortece”, explicou.

Tags:

Solicite sua demonstração do produto Boletins e Alertas

Solicite sua demonstração do produto Fornecimento de Conteúdo

Solicite sua demonstração do produto Publicidade e Branded Content

Solicite sua demonstração do produto Realização e Cobertura de Eventos

Inscreva-se no Boletim Semanal Gratuito

e receba as informações mais importantes sobre infraestrutura no Brasil

Cancele a qualquer momento!