Beatriz Kawai, da Agência iNFRA
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) busca antecipar a universalização dos serviços de água e esgoto para antes de 2029, o ano estabelecido como meta no processo de privatização da empresa paulista, disse a diretoria da companhia em teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre de 2025, nesta terça-feira (17). O alvo atual já é uma antecipação do prazo legal para universalização das atividades, estabelecido em 2033.
Em apresentação ao mercado, a companhia não apontou desafios para executar os investimentos que devem traduzir em serviços de água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% dos paulistas – embora o setor venha indicando que a reforma tributária e a implementação da tarifa social sejam obstáculos para o atingimento dessas metas pelo país.
Segundo o diretor-financeiro da Sabesp, Daniel Szlak, a companhia está adiantando o ciclo de investimento, com a possibilidade de implementar neste ano projetos que antes eram esperados somente para o futuro mais distante.
Para 2026, esperam lançar 38 projetos, contra os 32 entregues em 2025. A intenção é lançar a segunda fase do Integra Tietê – para a despoluição do rio de mesmo nome – com Capex de R$ 8 bilhões, e serviço de resiliência de água, com R$ 2,4 bilhões. As atividades incluem a construção da interconexão Billings-Taiaçupeba, que liga a represa Billings, em São Bernardo do Campo, à represa Taiaçupeba, em Suzano.
Ao longo do ano, serão investidos R$ 500 milhões em obras de infraestrutura no litoral norte paulista e R$ 13 bilhões em obras no interior do estado.
Fim de descontos a grandes usuários
Ainda conforme Szlak, a companhia levantou R$ 450 milhões em 2025 com a remoção de descontos para grandes usuários, clientes que consomem mais de 100 metros cúbicos de saneamento por mês. A manobra deve se estender aos contratos vigentes este ano para somarem aos ganhos do ano anterior.
Em 2024, com sua privatização, a Sabesp rescindiu centenas de “contratos de demanda firme”, pelos quais a então estatal tinha uma relação comercial para abastecimento de grandes usuários, incluindo os descontos aplicados.
Como mostrou a Agência iNFRA, o tratamento para grandes usuários da Sabesp está sendo discutido na Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), que finalizou nesta segunda-feira (16) consulta pública sobre a nova proposta de regulamentação para o assunto.
Interesse na Copasa
Questionado sobre a privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), o diretor-presidente da Sabesp, Carlos Piani, confirmou o interesse em participar da competição – cujo leilão ainda será marcado pelo estado de Minas Gerais –, mas destacou que a decisão aguarda a publicação do edital.
“Obviamente estamos interessados nessa oportunidade, mas tudo vai depender do edital e dos valores”, disse Piani. “Qual será o tipo de economia? Qual será o atrativo em termos de rentabilidade?”, questionou, acrescentando que o processo de concorrência é outro fator que pode impactar o interesse na corrida pelo controle da Copasa.
Segundo Piani, o processo de desestatização da empresa mineira está no “quintal” da Sabesp, considerando que fazem “bons investimentos em boas empresas”. No ano passado, a Sabesp comprou o controle da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) por R$ 1,1 bilhão.






