Marisa Wanzeller e Lais Carregosa, da Agência iNFRA
As ações da Axia caíram na casa de 5% nesta quinta-feira (7) após a divulgação de resultados da companhia. A expectativa do mercado era de lucro e distribuição de dividendos maiores que os apresentados. Contudo, corretoras recomendam a compra das ações pensando em estratégia de longo prazo.
Relatório divulgado pela XP Expert nesta manhã aponta, por exemplo, que o Ebitda ajustado da companhia, de R$ 8,6 bilhões, ficou entre 2% e 5% abaixo das estimativas do mercado. Assim como o lucro da geração de energia, que teria tido um resultado 7% menor ao esperado, e ainda, reportam que houve uma menor contribuição do segmento de transmissão na companhia. Apesar disso, a corretora ressalta que esse “pequeno” desvio nos resultados não é “algo muito preocupante” e não deveria levar a revisões estruturais.
PLD
Durante apresentação para investidores nesta quinta, os executivos da Axia destacaram que o lucro obtido, que reverteu prejuízo anterior, se deve ao preço da energia neste ano. Segundo o vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores, Eduardo Haiama, “esse primeiro trimestre teve a combinação perfeita da alta do preço spot [PLD] com a maior energia disponível sazonal”. “O lucro é basicamente reflexo do resultado operacional”, afirmou.
As projeções da companhia é que o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) – referência para comercialização no mercado de curto prazo – passe de R$ 311/MWh, valor realizado no 1º trimestre, para R$ 233/MWh no segundo trimestre e R$ 299/MWh no segundo semestre.
Questionado sobre alterações nos parâmetros de formação do preço da energia, o vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado, Rodrigo Limp, defendeu que o modelo está mais aderente e reflete melhor os custos da operação do setor elétrico. Por isso, ele ressaltou que é natural a volatilidade de preços observadas, como “reflexo da matriz” atual.
Liquidez
Limp também avaliou que não há uma crise de liquidez estrutural, mas talvez conjuntural, na comercialização de energia. Com um aumento da “volatilidade do PLD”, o executivo apontou para o “risco de contraparte”, “dado o que tem acontecido com diversas comercializadoras não conseguindo honrar com compromissos, muitas entrando inclusive em recuperação judicial”. “De fato os agentes hoje são mais avessos ao risco [na comercialização]”, disse.
Segundo ele, a Axia está elevando o critério de avaliação, inclusive da capacidade econômico-financeira das empresas com que comercializam, especialmente ao olhar “horizontes de mais longo prazo”.
“Inclusive, nos indicadores que a própria CCEE [Câmara de Comercialização de Energia Elétrica] divulga de rotatividade da energia, a gente não observa elementos que confirmem essa percepção de menor liquidez de forma estrutural no mercado”, destacou Limp. O executivo também aponta que, apesar de manifestações recentes de associações do setor, não vê “sustentação técnica ou jurídica” para promover alteração regulatório no modelo de formação dos preços.





