Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A Acelen Renováveis, do fundo Mubadala, que também detém a empresa dona da Refinaria de Mataripe, anunciou nesta quinta-feira (21), um primeiro investimento de US$ 1,5 bilhão para dar início à construção da biorrefinaria de combustíveis renováveis em São Francisco do Conde, município da Bahia.
Essa nova unidade, a ser instalada ao lado da refinaria de petróleo, terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros anuais de SAF (Sustainable Aviation Fuel) e HVO (Diesel 100% renovável), volume equivalente a 20 mil barris por dia.
O projeto integra produção agrícola, desenvolvimento industrial e tecnologia para produção de combustíveis renováveis a partir de matérias-primas tradicionais, como óleo de soja e UCO (óleo de cozinha usado), além da macaúba, palmeira nativa do Brasil, de cujos frutos também se extrai óleo vegetal base para biocombustíveis.
Nesse último caso, da macaúba, a Acelen prevê o cultivo em áreas degradadas, considerando ganhos de produtividade já incorporados ao projeto, sendo 20% destinados a parcerias com agricultura familiar e pequenos produtores.
Sobre isso, o vice-presidente de comunicação de relações institucionais da Acelen, Marcelo Lyra, disse à Agência iNFRA que, começando as obras em maio ou junho, a expectativa é que a construção leve dois anos e meio, o que permitiria o início da operação no início de 2029.
O executivo detalha que o projeto da Acelen Renováveis mira principalmente o mercado internacional, nos Estados Unidos e Europa. Ele falou à Agência iNFRA durante o 3° Fórum de Biodiesel e Bioquerosene, organizado pela Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), que aconteceu na semana passada, em São Paulo. Na ocasião, o FID (decisão final de investimento) ainda estava em análise final.
“A biorrefinaria vai processar qualquer tipo de óleo na sua capacidade máxima, em 100%. Eu não tenho uma macaúba para ela toda hoje. Vou plantar 180 mil hectares de pastagens degradadas que serão transformados em florestas de macaúba. Isso demora algum tempo. Então primeiro a unidade vai processar um blend de óleos, com óleo de soja, UCO, gordura animal, o que já vai produzir SAF e HVO”, explicou Lyra. Com o tempo, indica, o insumo da Macaúba vai dominar o processamento.
Investimento
Parte do valor aportado inicialmente, um percentual não revelado, é financiada por um consórcio, liderado por HSBC e IFC (Braço do Banco Mundial), que também reúne 10 instituições financeiras: FAB (First Abu Dhabi Bank), ADCB (Abu Dhabi Commercial Bank), BID Invest, BNDES, AIIB (Asian Infrastructure Investment Bank), FinDev Canada (Development Finance Institute Canada), KfW IPEX-Bank, Bradesco, BBVA e Bank of China.
No total, detalha a Acelen, essa primeira unidade integrada da companhia terá investimento superior a US$ 3 bilhões, contemplando o desenvolvimento agroindustrial com plantação, extração e beneficiamento dos coprodutos da macaúba.
Em nota, a Acelen informou que o empreendimento já possui engenharia integrada concluída, contratos estratégicos negociados e cerca de 90% da comercialização dos biocombustíveis (SAF e HVO) já estruturada e assinada, ou seja, project finance completo. O empreendimento, diz o documento, também conta com “parceiros” como Honeywell UOP e Construcap. A Petrobras chegou a negociar participação no projeto, mas as conversas não evoluíram.
“A estruturação deste financiamento confirma a robustez técnica, financeira e socioambiental do projeto. Entramos agora em uma nova etapa de execução industrial em larga escala”, escreve na nota o CEO da Acelen Renováveis, Luiz de Mendonça.
Segundo um estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas), a cadeia integrada do projeto pode movimentar até US$ 40 bilhões na economia brasileira e gerar cerca de 85 mil empregos diretos e indiretos na próxima década.






