20/06/2026 | 16h46  •  Atualização: 20/06/2026 | 19h17

Rumo sinaliza interesse em novos projetos ferroviários

Foto: João Neto/Rumo

Luiz Araújo*, da Agência iNFRA

A Rumo acompanha de perto a nova carteira de concessões ferroviárias do governo federal e vê oportunidades em projetos que possam ampliar a integração com sua atual malha logística. A sinalização foi feita pelo vice-presidente Comercial da companhia, Altamir Perottoni Jr., em entrevista após a inauguração do terminal ferroviário da BR-070, em Dom Aquino (MT), e do primeiro trecho da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT), construída sobre o regime privado de autorização.

Perottoni afirmou que a companhia analisa com atenção os projetos ferroviários em estruturação no país, especialmente aqueles conectados à atual rede da empresa e que permitam ampliar a captação de cargas em regiões onde a Rumo já atua. “A Rumo, como maior operadora logística ferroviária do Brasil, está sempre olhando todas as oportunidades. Tudo aquilo que se conecta com a nossa malha”, disse.

Entre os empreendimentos acompanhados pela companhia estão trechos da Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), que possuem integração com a Ferrovia Norte-Sul. Segundo o executivo, a EF-118, ligando Rio de Janeiro e Espírito Santo, também está no radar, embora com impacto considerado menor para os negócios da empresa.

Carteira
O governo trabalha atualmente com uma carteira de oito projetos ferroviários, com expectativa de colocar todos os editais no mercado ainda em 2026. Quatro empreendimentos já estão em análise pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e outros quatro devem ser encaminhados ao órgão nos próximos meses. A meta é contratar cerca de R$ 160 bilhões em investimentos.

Durante a inauguração em Mato Grosso, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o crescimento da produção brasileira exigirá uma ampliação significativa da infraestrutura logística nas próximas décadas. Segundo ele, o aumento da produção representa um “bom problema”, mas demandará mais investimentos em diferentes modais. “Sem investimentos em ferrovia, isso não é possível enfrentar”, disse.

Santoro afirmou que os quatro projetos atualmente em análise pelo TCU devem ter deliberação entre julho e o início de agosto. Outros quatro empreendimentos deverão ser enviados ao tribunal ao longo dos próximos meses. Segundo o ministro, a intenção é publicar todos os editais ainda neste ano. “É uma agenda para transformar”, afirmou.

O ministro ponderou, contudo, que alguns leilões podem acabar sendo realizados apenas em 2027. Ele citou especificamente os projetos da Malha Sul e do trecho Açailândia (MA)-Barbacena (MG), que podem ser afetados pelos prazos regulatórios. Santoro acrescentou que o governo busca ampliar a participação de investidores estrangeiros nas concessões. “Estamos tratando a carteira de maneira internacional, olhando também para investidores de fora do Brasil”, afirmou.

Inauguração
As declarações ocorreram durante a inauguração do terminal ferroviário da BR-070 e da conclusão da primeira etapa da FMT, empreendimento considerado atualmente a maior obra ferroviária em execução no país. A ferrovia foi autorizada pelo governo de Mato Grosso, integra o Novo PAC do governo federal e recebeu financiamento da Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste) e de debêntures estruturadas pelo BNDES.

Com mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados da Rumo, a primeira fase do projeto compreendeu a implantação de 162 quilômetros de ferrovia em novo traçado, em uma região que não possuía infraestrutura ferroviária pré-existente. As obras começaram em novembro de 2022 e foram concluídas neste mês, incluindo a construção de onze viadutos e pontes.

Quando concluída integralmente, a Ferrovia Estadual de Mato Grosso terá mais de 700 quilômetros de extensão, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com um ramal para Cuiabá. O sistema será integrado às malhas Norte e Paulista, garantindo acesso ao Porto de Santos. Ao todo, a ferrovia atravessará 16 municípios mato-grossenses.

A entrega desta semana também marcou a inauguração do terminal ferroviário da BR-070, em Dom Aquino. O complexo ocupa uma área total de 200 hectares, dos quais 56,1 hectares correspondem à área construída e outros 16,5 hectares às edificações. A estrutura terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.

As operações começam em fase de comissionamento e testes ao longo deste mês. A expectativa é que o terminal ganhe escala gradualmente durante o segundo semestre de 2026, passando a ter contribuição mais relevante a partir de 2027, conforme o crescimento da demanda do mercado.

As duas etapas restantes da ferrovia ainda dependem do avanço do licenciamento ambiental e têm prazo de conclusão previsto para 2034. A expansão da Malha Norte busca aproximar os trilhos das regiões produtoras de Mato Grosso, reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro nos mercados nacional e internacional.

*O repórter viajou à convite da Rumo.

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