23/06/2026 | 14h26  •  Atualização: 23/06/2026 | 17h20

Cooperação entre Petrobras e Pemex mira ‘pré-sal’ do Golfo do México

Foto: Pedro Teixeira/Agência Brasil

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

Apesar do alcance genérico do MOU (Memorando de Entendimentos) assinado nesta terça-feira (23) entre a Petrobras e a estatal mexicana Pemex, as partes envolvidas deixaram claro o interesse em descobrir e desenvolver o que seria o equivalente ao pré-sal da parte mexicana do Golfo do México, ainda intocado.

Na saída da cerimônia com o diretor-geral da Pemex, Juan Carlos Carpio e representantes do governo do México, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse a jornalistas que a Petrobras vê uma possibilidade muito grande nas águas do Golfo sob jurisdição mexicana.

“Não é crível que a gente olhe para o Golfo do México e diga que todo o óleo escolheu ficar na porção americana, que foi a mais desenvolvida, que recebeu investimento ao longo de tantos anos”, disse Magda.

A executiva detalhou que, pelo que se sabe da parte americana do Golfo, existe uma formação de sal, mas diferente da encontrada nas águas do sudeste brasileiro.

“É o sal com gomos de sal soltos e não como a gente tem aqui, que são muralhas de sal muito espessas e contínuas. Aqui a gente chama de pré-sal e lá eles chamam de sub-sal, exatamente, porque são esses gomos. É um desafio diferente, mas continua sendo um desafio”, disse.

Questionada se a Petrobras teria expertise para lidar com essa geologia, Magda disse que a Petrobras está na vanguarda da exploração e produção em áreas profundas e ultraprofundas no mundo. “Quando a gente olha o que o mundo está produzindo de petróleo em lâminas d’água de dois mil metros ou até mais, a gente olha o Brasil praticamente sozinho com a Petrobras”.

Sobre as possibilidades do México, Magda lembrou o campo de Cantarell, que chegou a produzir mais de 3 milhões de barris por dia no início dos anos 2000 no que ela definiu como uma “área muito restrita em águas rasas”. Hoje a Pemex produz 1,65 milhão de barris de óleo equivalente por dia (Boed). A presidente da Petrobras disse que, em reunião com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, teria contado sobre a existência de “duas ou três” acumulações menores que costumam ocorrer próximas a campos gigantes, padrão recorrente no Brasil.

Carpio, diretor-geral da Pemex, afirmou que estudos já estão sendo feitos para que seja descoberto um pré-sal nas águas do país e que, dentro das tratativas com a Petrobras, serão usadas todas as opções “do ponto de vista exploratório para se descobrir e aprofundar” esses trabalhos. Da parte da Pemex, disse ele, um acordo concreto pode ser firmado em “muito curto prazo”.

“Como sabemos, a indústria petroleira é de médio e longo prazos, mas nós estamos trabalhando de forma que [um acordo] seja o mais rápido possível”, disse Carpio.

Em discurso, durante a cerimônia, o executivo listou áreas abarcadas pelo memorando: exploração e produção de petróleo em águas profundas e revitalização de campos maduros; refino; petroquímica; fertilizantes; processamento de gás; recuperação de líquidos; confiabilidade de processos; gestão de manutenções; combustíveis limpos; segurança industrial; saúde no trabalho; e proteção ambiental.

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