Gabriel Vasconcelos, da agência iNFRA
Um dia após reduzir o diesel na proporção da subvenção encerrada para manter estáveis os preços na bomba, a Petrobras informou nesta quarta-feira (1°) uma redução de 14,5% no preço do QAV (querosene da aviação).
Questionada sobre gasolina, a presidente Magda Chambriard, informou que a companhia avalia as variações dos preços internacionais do derivado e do petróleo, que deverão ser acompanhadas, mas sem repassar volatilidades momentâneas ao consumidor. Ela falou com jornalistas em evento sobre os patrocínios culturais da estatal, no Rio de Janeiro.
QAV
No caso do QAV, este foi o segundo corte consecutivo anunciado pela empresa após o recuo de 14,2% no início de junho. Os cortes começam a reverter a alta de 54% promovida em maio, que levou a uma política frustrada de parcelamento do reajuste. As quedas de momento vêm linha com as quedas recentes na cotação do petróleo, ligadas ao acordo de cessar-fogo assinado entre Estados Unidos e Irã.
Nominalmente, a redução para julho corresponde a uma queda de R$ 0,81 no litro do QAV da Petrobras. Com isso, o novo preço varia entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro, a depender do ponto de venda.
Diferente do diesel e da gasolina, que têm movimentação de preço mais discricionária por decisão da tríade formada por Magda e pelos diretores financeiro e de comercialização e logística, o QAV é reajustado em todo início do mês. O preço é definido de acordo com uma fórmula que considera a variação do PPI (Preço de Paridade de Importação) para o QAV produzido no Golfo do México (EUA) – fator que disparou com a guerra no Oriente Médio e agora retrocede – além das variações de câmbio e frete marítimo. Influi na equação, ainda, o AFRMM (Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante).
Gasolina
Perguntada sobre o futuro dos preços da gasolina da Petrobras, Magda evitou prognósticos.
“Todos os nossos combustíveis acompanham a tendência dos preços internacionais, sem internacionalizar volatilidade, sem internacionalizar a ansiedade. No caso da gasolina é a mesma coisa. Ela custou para subir. Nós subimos o preço da gasolina e o governo aplicou a subvenção. Agora nós vamos acompanhar a tendência, mas não todos os dias”, disse.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na terça-feira (30) que o governo já avalia a retirada da subvenção da gasolina, esperando maiores sinais de estabilização dos preços internacionais.
Questionada se a Petrobras poderia reduzir esse preço antes de o governo retirar a subvenção, Maga não descartou, mas se limitou a dizer que a pergunta é prematura. Ela afirmou que a empresa está olhando para isso e “vai acompanhar a tendência dos preços internacionais com certeza”.
A executiva voltou a dizer que reajustes frequentes, como os feitos em 2018, trouxeram um efeito “mais do que indesejável” de perda de participação de mercado pela empresa. Não é a primeira vez que ela coloca “market share” como um ponto de atenção da companhia em momentos de pressão do governo ou acionistas privados por reajustes.






