04/08/2026 | 14h10  •  Atualização: 04/08/2026 | 15h23

Múcio diz que vai procurar TCU para defender 32% de etanol na gasolina

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, disse nesta terça-feira (4) que vai interceder junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) pela manutenção da mistura de 32% de etanol anidro na gasolina C, vendida nos postos de abastecimento.

“Vou falar com o Bruno Dantas e com outros ministros. Um deputado questionou o aumento da mistura [de etanol na gasolina]. Isso é um produto brasileiro, desenvolvido por brasileiros, e nós ficamos criando problema. Não tem problema. Quando isso vai para a rua, é porque já fizeram experiências, a coisa funcionou. Não é uma coisa recente, é uma coisa que vem de muitos anos”, disse Múcio a jornalistas em evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

O ministro lembrou que o processo no TCU relacionado à matéria conta com relatoria do ministro Antonio Anastasia, mas reforçou que vai procurar o ministro Bruno Dantas “pela forma como ele circula no TCU” e para ver “quais são os obstáculos” a fim de que o governo possa superá-los.

O novo mandato, chamado de E32, é questionado na corte de contas e na Justiça. Dois dias após a aprovação da medida pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), em 16 de julho, o MPTCU (Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União) pediu que a Corte apurasse indícios de irregularidades na aprovação da elevação do teor de etanol no combustível final.

Segundo o órgão, haveria indícios de que a decisão tenha sido impulsionada “predominantemente” por critérios econômicos e conjunturais, sem a divulgação de estudos técnicos “suficientemente detalhados” sobre seus efeitos na frota nacional, consumidores e segurança do abastecimento.

Oito dias depois da decisão de governo, em 22 de julho, foi a vez de o MPF ingressar com ação civil pública para suspender a medida. A alegação central também é que não foram concluídos estudos técnicos que dessem segurança sobre a alteração. Nesse caso, foram apontadas evidências de que o aumento do etanol na gasolina pode provocar corrosão em peças metálicas, desgaste prematuro de bombas e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

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