Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA

O presidente da Abraget (Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas), Xisto Vieira, avalia que os agentes não devem precificar toda a alta dos combustíveis em seus lances na segunda etapa do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência) 2026. As últimas rodadas do certame ocorrem nesta sexta-feira (20) e contratarão termelétricas abastecidas a diesel, óleo combustível e biodiesel.
“Essa questão do diesel é conjuntural da guerra. Essa guerra não é para sempre, daqui a pouco acaba e vai recuperar o preço. Possivelmente vai ser [contabilizado] um valor médio, porque isso não é perene”, disse o executivo à Agência iNFRA. A questão se dá pelo momento de guerra no Oriente Médio, que vem pressionando os preços dos combustíveis com aumento da cotação do petróleo tipo Brent.
Xisto também ressalta que as térmicas a óleo não são contratadas para serem acionadas na base da operação do sistema elétrico. Ou seja, elas só serão despachadas em caso de necessidade, para garantir a segurança do fornecimento de energia. Por isso, segundo ele, o impacto nos preços não seria tão expressivo.
“Se o sistema tiver um problema, elas vão ser chamadas. O despacho delas, em geral, é muito baixo, porque elas são de segurança de última instância. Elas são evidentemente mais baratas porque elas vão ser despachadas muito menos”, disse.
Assim, a Abraget projeta a contratação de um montante entre 2 e 3 GW (gigawatts) de potência nesta sexta. Enquanto a primeira fase do certame contratou uma demanda próxima a 19 GW, considerada exitosa pela associação.
Benefícios ao consumidor
Nos cálculos da Abraget, a realização do LRCAP 2026 beneficia o consumidor de energia elétrica com um “ganho estrutural” de R$ 58 bilhões em 10 anos, pela modernização do parque térmico, que garante mais flexibilidade à operação.
Além disso, evita um custo de R$ 65 bilhões ao reduzir o risco de interrupção do sistema, aponta. Segundo o executivo, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) comunicou ao TCU (Tribunal de Contas da União) – que avalia a metodologia do certame – que o risco de perda de carga passaria de menos de 5% para cerca de 25% em 2026 sem a realização do leilão de potência.
Os valores apontados contrapõem as críticas feitas ao certame pelo deságio considerado baixo, de 5,5%. Para Xisto, além do preço, os leilões atuais devem considerar a segurança eletroenergética e a independência energética – que estaria sendo garantida pelo certame. “Repara bem que com essas guerras todas, a parte da independência energética passou a ter um fundamento total, que foi o que esse leilão nos deu”, disse.
Próximos certames
O presidente da associação pondera ainda que, mesmo com a eventual realização de um leilão de potência para baterias ainda em 2026, o governo já deveria programar o próximo LRCAP de térmicas para 2027 – com entrega de potência em 2032.
“Já temos que começar a pensar no leilão para o ano que vem. O problema não acabou, ele está começando a ser resolvido”, disse Xisto, destacando que houve um grande hiato entre a realização dos leilões de potência, o que provocou a grande demanda neste ano. Para o ano que vem, “vai ser um leilão muito mais soft”, afirmou o executivo.
Na opinião de Xisto, os sistemas de armazenamento deveriam ter um leilão próprio, mas não de capacidade. A tecnologia deveria ser contratada como serviços de sistema – também conhecidos como serviços ancilares.
“As baterias auxiliam na ponta do sistema, auxiliam em controle de frequência, auxiliam na questão de arbitragem – que é você comprar energia quando ela está barata e vender quando ela está cara. Elas reduzem o curtailment, sem dúvida alguma. (…) Elas são importantes, mas é importante criar um tipo de leilão específico para as baterias com um tipo de demanda específica”, disse.
Além disso, ainda seria necessário o amadurecimento da regulação dos sistemas de armazenamento, diz Xisto. “Eu não vi um modelo regulatório prontinho para as baterias aqui, pode ser que já tenha e eu não sei. Mas eu acho, na minha modesta opinião, que não tem ainda”, avalia.





