26/06/2026 | 12h00

ANEEL pauta mudanças em remuneração de distribuidoras; setor tem ressalvas

Foto: ANEEL

Lais Carregosa e Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) pautou, para a reunião de diretoria de terça-feira (30), a abertura de consulta pública para discutir mudanças na remuneração das distribuidoras, por meio de mecanismo conhecido no setor como “fator X”. Esse índice tem o objetivo de reduzir os reajustes tarifários ao dividir os ganhos de produtividade das empresas com os consumidores.

proposta inicial da ANEEL considera parcialmente os investimentos realizados pelas distribuidoras, compartilhando os gastos totais e as variações de mercado entre as concessionárias e os consumidores. Segundo apurou a Agência iNFRA, o modelo proposto foi recebido com ressalvas. Uma fonte chegou a classificar a metodologia como uma “grande decepção” diante das expectativas de uma reforma maior do fator X e dos cálculos tarifários.

As empresas pleiteiam um ajuste que permita um reconhecimento maior dos investimentos em um intervalo menor que cinco anos, como é hoje, com remuneração “intraciclo”. Os agentes apontam a necessidade de maiores investimentos em resiliência e modernização das redes, o que exigiria um repasse mais ágil dos valores às tarifas.

Os termos foram apresentados pela ANEEL a representantes do segmento em reunião na sede da reguladora, em Brasília, na última segunda-feira (22). A previsão dos técnicos é que a nova fórmula seja usada nas revisões tarifárias a partir de 1º de janeiro de 2027. Admite-se também a implantação em caráter experimental, com implementação efetiva a partir de 1º de janeiro de 2028. 

Metodologia hoje
Simulação feita no relatório de AIR (Análise de Impacto Regulatório) mostra que, conforme a metodologia atual, há distribuidoras que apresentam ganhos de eficiência superiores ao parâmetro setorial, como é o caso da Equatorial Amapá e Neoenergia Brasília – o que pode indicar custos baixos de investimento e operação ou aumento de mercado, resultando em reajustes maiores. Outras, como a Cocel (distribuidora do interior do Paraná) e a Equatorial Alagoas, têm ganhos positivos, mas abaixo dos parâmetros.

Já empresas como Equatorial Piauí, Equatorial Maranhão, Neoenergia Pernambuco, Equatorial Pará, Neoenergia Rio Grande do Norte e Equatorial Goiás, possuem ganhos negativos de eficiência – com destaque para a concessionária potiguar, que apresenta taxa quase 20% menor que o parâmetro setorial, o que resulta em receita menor para a empresa.

“Entre os fatores potencialmente associados a esse comportamento destacam-se a desaceleração do crescimento do mercado, sobretudo decorrente do forte crescimento da MMGD (Micro e Minigeração Distribuída) nos anos analisados e a intensificação de investimentos nas redes de distribuição, por diversas razões, como a modernização, a resiliência, etc.”, explica a nota técnica.

Expectativas
Após as primeiras simulações feitas por agentes e consultorias de mercado a partir da fórmula apresentada pela ANEEL, a leitura feita pelo setor é que os parâmetros para o cálculo da produtividade ainda precisam de aprimoramentos. 

A ideia da reguladora com isso é atualizar o cálculo diante das mudanças enfrentadas no setor nos últimos anos, como a expansão da MMGD, e de uma necessidade cada vez maior de investimentos nas redes. Ao considerar as variações de mercado, a intenção da ANEEL é incluir na conta as perdas do mercado faturado das distribuidoras por conta da expansão da MMGD. Segundo fontes, esse é um ponto pacífico da proposta. 

Atualmente, o cálculo considera, entre outros itens, a produtividade total do segmento de distribuição como um todo – calculada no período entre 2013 e 2018 – multiplicada pelo crescimento do mercado nos anos seguintes. Na nova metodologia, essa produtividade total do segmento passaria a ter peso de 50%, mas considerando os últimos seis anos, enquanto a produtividade de cada distribuidora em si também seria analisada com o mesmo peso.

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