Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Artur Watt, definiu os testes de laboratório requisitados pelo governo para o aumento do percentual de biodiesel no diesel B dos atuais 15% para 16% como “fundamentais e importantes”, e defendeu a antecipação dos experimentos para teores ainda maiores do que o pretendido no momento para dar conforto à política pública do mandato em conjunturas como a atual, de aperto na oferta global de combustíveis. Ele fez os comentários durante o Fórum de Biodiesel e Bioquerosene, organizado pela Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene) esta semana em São Paulo.
Em discurso, Watt defendeu a política de mandato obrigatório do biocombustível e a exportação como caminhos para o crescimento da indústria de biodiesel. Ele reconheceu que já existem “necessidade e capacidade” dos produtores brasileiros de biodiesel de assistirem um aumento do teor, em linha com o calendário de acréscimo de um ponto porcentual até 2030, quando o mandato chegará a 20%, podendo alcançar 25% posteriormente.
Mas, em linha com o governo, endossou a necessidade dos testes, um rigor que executivos e representantes do setor julgam desnecessários sob uma série de argumentos, que vão desde a existência de testes técnicos de ordem privada bem sucedidos, passando pela aplicação experimental e validada pela ANP do uso de biodiesel puro e a adoção de mandatos superiores a 40% no exterior, como acontece, por exemplo, na Indonésia.
“Estamos dependendo de testes que são fundamentais e importantes. Idealmente, como meta para o futuro, a gente tem que estar com esses testes percentuais mais avançados, com degraus de previsão de aumento para, por exemplo em um momento de crise como esse, a gente já estar pronto para aumentar os percentuais”, disse ao defender testes acima do teor de 16% objetivado agora. Segundo fontes, o MME planeja testar até 20% de biodiesel no diesel B.
“É importante a gente já ter esses estudos para percentuais maiores, até porque a gente sabe que existem projetos rodando com B100 (100% de biodiesel) que a ANP autoriza de forma experimental e que estão funcionando de forma adequada. É lógico que estudos para o uso disso em larga escala precisam ser atendidos, mas a gente já vê também nessa seara [teores mais altos na mistura] uma avenida muito grande de crescimento [da indústria]”, continuou.
Para tanto, ele mencionou a necessidade de mais pesquisa e tecnologias para trazer conforto à política de mandato e a esse uso estendido, citando filtragens embarcadas e avanço em capacidade e qualidade de armazenamento.
Ao fim da explanação, o diretor-geral da ANP fez coro à política energética do governo, falando em “adição energética”, para além de somente uma transição. Esse movimento, diz, deve ser sustentado por uma substituição dos combustíveis fósseis por renováveis no mercado doméstico, mas sem restrições à produção de petróleo devido à sua importância geopolítica. Aí, ele cita, inclusive, a necessidade de recomposição de reservas de óleo bruto.






