17/06/2026 | 12h00

Brasil pode produzir 20% das terras raras do planeta até 2040, diz estudo

Foto: Vale

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

Em meio à disputa geopolítica pelo mercado de terras raras, o governo poderá definir uma meta considerada ambiciosa para o Brasil: alcançar 20% da produção global até 2040. A projeção está em estudo encomendado pelo MME (Ministério de Minas e Energia) e elaborado pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), com apoio técnico da União Europeia e financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

A análise técnica que acaba de ser concluída deve subsidiar o governo na formulação da “Estratégia Nacional de Terras Raras”. Para atingir a meta de 20% da produção mundial em 2040, o Brasil precisará colocar no mercado 75 ktpa (quilo/toneladas por ano) de Treo (Toneladas de Óxidos de Terras Raras, em inglês). Até lá, a produção mundial deve totalizar quase 380 ktpa de Treo, conforme projeções da Argus Media. Esse desempenho exigirá investimento em mineração e produção de concentrados – etapa chamada de “upstream”.

Nesse horizonte de tempo, o estudo estabelece metas para os outros dois segmentos do mercado de terras raras. Um deles é dedicado à separação, refino e transformação dos elementos em óxidos, metais e ligas – o “midstream”. Outro se encarrega da produção de ímãs permanentes, ligas metálicas e componentes de aplicação industrial de alto valor agregado – o “downstream”.

Segundo relato de quem teve acesso ao estudo, os dados e as análises que vão reforçar a estratégia nacional indicam metas divulgadas de curto e médio prazo para os três segmentos da indústria. No longo prazo, até 2040, o Brasil poderá atingir, no midstream, a capacidade instalada de 40 ktpa de Treo na separação de óxidos até 2040, incluindo 10 ktpa dos dois importantes grupos de terras raras – o Neodímio-Praseodímio e o Disprósio-Térbio.

No downstream, fase de maior valor agregado, o Brasil poderá atingir uma escala de produção de magnéticos permanentes com volume de 5 ktpa.

O estudo será apresentado na próxima sexta-feira (19) ao setor. No convite para a cerimônia, na sede do MME, às 9h30, o ministério destaca que a estratégia nacional será definida “em alinhamento com a agenda de minerais críticos, transição energética, inovação tecnológica e competitividade industrial”.

‘Meta ambiciosa’
Uma fonte do setor, consultada pela Agência iNFRA, informou que membros do governo e os especialistas envolvidos na produção do estudo demonstraram, na fase de preparação, o interesse em buscar “metas ambiciosas” para exploração das reservas de terras raras dentro do país. A mesma fonte ressaltou que é “enorme” o desafio de fazer toda a estruturação do mercado, “da mina ao ímã”, como fez a China.

Agência iNFRA apurou que o estudo sugere um conjunto de diretrizes para o Brasil buscar o desenvolvimento de toda cadeia de terras raras, incluindo as fases mais avançadas de agregação de valor. Isso envolve um longo processo, que vai da destruição de 17 elementos químicos encontrados na natureza até o uso de alguns deles como insumo na fabricação de ímãs permanentes de turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos de defesa, eletrônicos avançados, entre outros produtos.

No jogo geopolítico, o Brasil é observado em razão de sua posição de destaque. O país possui a segunda maior reserva mundial, cerca de 23,1% do volume total mapeado. Para cumprir os objetivos traçados, o estudo aponta a necessidade de definição de indicadores de monitoramento, plano de ação, agenda regulatória e uma série de medidas que precisarão ser tomadas no âmbito tributário, garantias socioambientais e apoio financeiro.

Lula no G7
O governo federal tem defendido o investimento na agregação de valor à produção mineral no Brasil, em vez da mera exportação da matéria-prima em seu estado bruto. Na terça-feira (16), ao discursar na reunião ampliada do G7, na França, o presidente Lula encerrou sua fala dizendo que “países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades”.

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