Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
Apesar da corrida pelas terras raras se intensificar em 2025, o número de requerimentos de pesquisa para descoberta de novos depósitos no Brasil, dono da segunda maior reserva mundial, encolheu neste período. Dados da ANM (Agência Nacional de Mineração) mostram que o total de novos alvarás de pesquisa caiu de 1.108, em 2024, para 683, em 2025, valor inferior aos 895 requerimentos aprovados em 2023.
O levantamento foi realizado pela Jazida, plataforma de gestão de processos minerários, a pedido da Agência iNFRA. Os números da ANM confirmam que ocorreu um “boom” de requerimentos em 2024, ano com mais alvarás de pesquisa protocolados na série histórica.
Essa explosão de processos de pesquisa naquele ano foi observada pelo chefe da Divisão de Minerais Críticos e Estratégicos da agência, Mariano de Oliveira, no ano passado. Durante audiência pública no Senado, ele mostrou que as autorizações cresceram quase 400% em relação a 2023.
“Em 2023 e 2024, houve uma popularização do assunto. Empresas que estavam mais receosas de entrar resolveram entrar, e outras, dispostas a assumir risco, decidiram investir em áreas com ambiente geológico mais desconhecido, porque perceberam que todo mundo estava fazendo isso”, disse o geólogo Vinicius Ferreira, sócio da Jazida.
Para o especialista, a queda do número de requerimentos de pesquisa para terras raras em 2025 é explicada pelo simples esgotamento do estoque de áreas associadas à produção desses elementos químicos.
Ferreira explicou que, agora, as mineradoras interessadas em pesquisar terras raras terão três alternativas. A primeira é esperar as próximas rodadas de leilões da ANM. A 9ª Rodada de Disponibilidade de Áreas estava prevista para o ano passado e foi adiada para este ano.
A segunda opção é abrir negociação com os atuais detentores de áreas já em fase de prospecção. “Já vimos esse processo de incorporar grupos menores acontecendo no setor de lítio no Brasil”, observou o sócio da Jazida. Ele contou que essa estratégia foi, por exemplo, usada pela australiana PLS para marcar presença no mercado local de lítio.
A terceira possibilidade, considerada mais desafiadora pelo executivo, é a aposta nas áreas com contexto geológico distinto daquelas já conhecidas pela ocorrência de terras raras. Segundo ele, a busca por novas fronteiras de exploração de terras raras teve início no litoral da Bahia e na região de Patos de Minas (MG).
Áreas mais promissoras
À Agência iNFRA, o geólogo explicou que, apesar do maior número de alvarás de pesquisa em 2024, as áreas com forte potencial para produção foram procuradas a partir da pandemia. Ele disse que, durante a crise sanitária, o mundo percebeu que a estabilidade na oferta é um dos pontos fundamentais para garantir o suprimento da demanda por chips e outros componentes eletrônicos avançados.
“Aqueles mais atentos anteviram esse movimento de 2022. Eles fizeram as melhores apostas de pesquisas em terras raras”, afirmou Ferreira. O sócio da Jazida afirmou que, naquele momento, estudos indicavam a presença de granitos associados à presença de terras raras. Isso, segundo ele, levou mineradoras como a Meteoric e a Viridis a se posicionarem bem na disputa e adquirirem áreas importantes no local.
Antes de começar a corrida por terras raras, apenas a Serra Verde, em Minaçu (GO), havia se engajado na exploração dentro do Brasil. Atualmente, a empresa detém a única planta de produção em escala industrial fora da China.





