27/05/2026 | 19h40  •  Atualização: 27/05/2026 | 20h06

Em reunião, EUA falam em processar minerais críticos no Brasil, afirmam fontes

Foto: Felipe Menezes/U.S. Embass

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

O encarregado de negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, disse na terça-feira (26), a autoridades e executivos brasileiros, que há interesse por parte dos americanos em estabelecer parcerias com o Brasil no setor de minerais críticos para “desenvolver cada parte da cadeia, não somente extração” da matéria-prima. A declaração foi dada durante evento fechado, em Brasília, e confirmada por fontes que acompanharam a fala da autoridade americana na ocasião.

Escobar, que chefia a Embaixada dos EUA no Brasil, afirmou, segundo interlocutores, que os Estados Unidos não podem ter uma política sobre minerais críticos sem o Brasil e, por outro lado, os brasileiros não poderiam ter uma política de desenvolvimento desse setor, que envolve tecnologia e inovação, sem os americanos.

A autoridade diplomática no Brasil teria reforçado o discurso do núcleo do governo Donald Trump, em Washington, sobre a estruturação de uma cadeia resiliente de suprimento dos minerais críticos em escala global, para que o mundo “não seja dependente somente de um país”.

Embora a principal preocupação dos EUA seja fazer frente ao domínio da China nesse mercado, o nome do país asiático não teria sido mencionado pelo chefe da diplomacia americana em momento algum.

Um dos participantes da reunião mencionou que Escobar falou do interesse do governo americano em construir “arquitetura econômica” que prevalecerá na segunda metade do século XXI. E que esse cenário envolverá parcerias econômicas em setores de energia, infraestrutura e cooperação espacial, inclusive na exploração de minerais críticos.

No caso do Brasil, o chefe de negócios dos EUA afirmou que a cooperação deve passar pelas esferas dos governos municipais, estaduais e federal e ressaltou que o histórico de bom relacionamento diplomático de mais de 200 anos entre os dois países passa especialmente por parcerias no setor privado.

O evento realizado na capital foi promovido pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio no Brasil), pelo Citi e pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos. Além do chefe da diplomacia dos EUA no Brasil, o encontro contou com a participação de técnicos do governo, parlamentares brasileiros e diretores de empresas de exploração de minerais críticos no Brasil.

Questionada sobre o debate ocorrido no evento, a Embaixada dos EUA no Brasil não quis comentar.

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