Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (10), em declaração após reunião com ministros, que os minerais críticos assumirão maior importância na agenda de governo. Também estavam no encontro especialistas no tema e um executivo da Vale.
“É isso que vai acontecer a partir de agora. A nossa história de tratar as chamadas terras raras e minerais críticos mudou de patamar a partir dessa reunião”, afirmou o chefe do Executivo.
O presidente disse ainda que quer no governo um conselho específico para tratar dos minerais críticos, submetido ao Palácio do Planalto. “Nós temos um conselho criado. Vai ter um conselho de pessoas diretamente ligadas à Presidência da República, que a gente tem que fazer”, disse.
A proposta de criação de um “comitê especial”, que seria coordenado pela Casa Civil, chegou a ser levada no início deste mês ao CNPM (Conselho Nacional de Política Mineral), mas acabou saindo da pauta de deliberação. A Agência iNFRA apurou, neste caso, que o novo colegiado serviria de base de governança da estrutura definitiva que será montada a partir da aprovação do marco legal, o PL (Projeto de Lei) 2.780/2026.
Na proposta legislativa, que tramita no Senado, os membros do governo vão integrar o “Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos”.
Papel da Petrobras
Lula também defendeu o papel da Petrobras no campo da pesquisa envolvendo projetos de energia. O comando da estatal tem sinalizado o interesse de entrar no setor de minerais críticos em estratégias relacionadas à transição energética.
“A Petrobras não é mais uma empresa de petróleo. A Petrobras é uma empresa de energia. E mais do que energia, é a empresa que mais tem que financiar a inovação nesse país. Ela pode fazer. É para isso que a gente quer uma empresa pública de qualidade”, destacou o presidente da República.
Lula disse que a reunião desta sexta mudou sua percepção sobre o nível de conhecimento sobre o tema no Brasil. O encontro contou com a participação de especialistas no tema ligados à academia: Alexandre Magno Rocha (IFRN), Fernando Landgraf (Poli USP), Giorgio de Tomi (Poli USP) e Giorgio Romano Schutte (UFABC).
“Sinceramente, achei que a gente era quase analfabeto nesse assunto. E nessa reunião ficou claro o potencial de conhecimento que o Brasil tem em todas essas coisas que parecem uma coisa só da China, obcecada em ser a única do mundo, e da inveja do Trump de querer tomar o conhecimento da China”, disse Lula, mencionando que “o Brasil já tem” potencial de conhecimento, capacidade de formação de profissionais e empresas atuando nessa área.






