Geraldo Campos Jr. e Lais Carregosa, da Agência iNFRA
O TCU (Tribunal de Contas da União) apontou que a emissão de debêntures pela Eletronuclear, que atingiu o valor de R$ 1,5 bilhão, não cobriu integralmente os custos previstos para a conclusão das intervenções para extensão da vida útil de Angra 1. Conforme processo aprovado nesta quarta-feira (21) que analisou as contas da estatal, restam ainda R$ 400 milhões em aberto que são necessários para as obras.
Em seu voto, o relator, ministro Benjamin Zymler, cita que até o momento foi emitida apenas uma primeira parte do montante de R$ 2,4 bilhões em debêntures a serem emitidos pela Eletronuclear para as obras de Angra 1. Conforme acordo selado junto ao STF (Supremo Tribunal Federal), essas debêntures serão obrigatoriamente adquiridas pela Axia Energia (ex-Eletrobras).
O acórdão cita que a primeira emissão “trouxe alívio para o caixa da Eletronuclear e amenizou a situação delicada das dívidas de curto prazo” relacionadas ao projeto, mas que a liberação do restante está vinculada ao cronograma físico das obras da extensão da vida útil de Angra 1.
Ainda de acordo com o tribunal, a Eletronuclear “está bastante fragilizada do ponto de vista financeiro”. Apesar de ser mitigada pelas debêntures ligadas à Angra 1, a situação acaba sendo agravada pela indefinição sobre a conclusão de Angra 3, que impõe custos elevados para a companhia.
A “deterioração econômico-financeira” da estatal nuclear é comprovada pelo prejuízo de R$ 142 milhões verificado em 2025, “o que pode gerar graves riscos para o setor nuclear brasileiro como um todo”, segundo o acórdão.





