EPE vê problema em indisponibilidade de térmicas e recomenda revisão da garantia física das usinas


Leila Coimbra e Alexandre Facciolla, da Agência iNFRA

Um estudo elaborado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) sobre termelétricas mostrou que a indisponibilidade verificada no período de janeiro a março variou entre 2,5 mil MW (megawatts) e 4,5 mil MW de potência. Significa que mesmo chamadas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) a despachar (produzir energia), elas não puderam gerar esse volume. 
 
O total chegou a representar até sete vezes a garantia físicas das usinas que fizeram parte do estudo, segundo a EPE, o que a estatal considerou como “desvios sistematicamente superiores” ao esperado. Os principais motivos para a não geração – ou indisponibilidade – são a falta de combustível ou falhas nos equipamentos.
 
GFs revisadas anualmente
Para a estatal, “os resultados sugerem uma visão otimista da GF (garantia física) das UTEs analisadas, em relação à realidade”. Por isso, seria necessário a revisão da GF das usinas térmicas, na visão da EPE. De preferência, de forma anual. A garantia física de um empreendimento de geração despachado centralizadamente representa, de forma resumida, a quantidade máxima de energia que ele pode comercializar.
 
Leilão de capacidade
O documento chama a atenção para o impacto da alta indisponibilidade no futuro leilão de capacidade que o governo pretende realizar, onde a geração térmica será contratada no mercado livre: “As penalidades brandas e o desempenho operacional das usinas abaixo do esperado ligam o alerta para a futura contratação de capacidade, pois o nível de disponibilidade e confiabilidade exigidos para esse produto são maiores”, alerta o texto.
 
“Nesse sentido, poderá ser necessária reavaliação e calibração das penalidades por níveis de indisponibilidade fora da faixa de referência na definição do lastro de capacidade, de forma a garantir níveis confiáveis de atendimento.”
 
Planejamento
Para o presidente da EPE, Thiago Barral, o estudo vem no sentido de aperfeiçoar o planejamento. “É importante estar permanentemente verificando eventuais desvios entre as premissas utilizadas nos estudos de planejamento e a realidade observada no sistema. Isso é importante para que o planejamento possa ser aperfeiçoado a cada ciclo de estudos, e o olhar para a indisponibilidade das térmicas se insere nesse contexto”, disse à Agência iNFRA.
 
Procurada, a Abraget (Associação Brasileira dos Geradores Termelétricos) disse que ainda avalia os detalhes do relatório produzido pela estatal de planejamento.
 
Teip e Teif
Para medir as indisponibilidades, o estudo da EPE citou a Teip (Taxa Equivalente de Indisponibilidade Programada), onde as paradas são planejadas; e a Teif (Taxa Equivalente de Indisponibilidade Forçada), onde houve algum imprevisto para impedir a geração. Ambas são apuradas pelo ONS.

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