10/03/2026 | 10h00

Fontes da ANP descartam falta de combustível e veem corrida por estoque

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

A escalada na cotação do petróleo e derivados nos últimos onze dias já traz perturbações para a cadeia de combustíveis do Brasil, com reclamações pontuais de falta de produto, sobretudo de diesel no Sul do país.

Algo entre 20% e 30% do volume de diesel consumido no país é importado, uma fatia considerável que é diretamente influenciada por fatores externos. Mas fontes da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) garantiram à Agência iNFRA que ainda não há falta de produto e que as empresas distribuidoras seguem “devidamente” abastecidas.

A suspeita, a ser confirmada, é que intermediários dessa cadeia aumentaram sua demanda por combustível ante a possibilidade de reajustes da Petrobras, fornecedora dominante capaz de nivelar o mercado em patamar de preços mais alto. Técnicos da agência já coletaram informações junto aos agentes distribuidores e devem apresentar tão logo as conclusões à diretoria colegiada. Dados preliminares, diz uma fonte com conhecimento do assunto, afastam qualquer hipótese de escassez.

Como já aconteceu algumas vezes no passado, dizem as fontes, essas empresas podem estar buscando “estocar mais produto na baixa para vender na alta”, aumentando suas margens. No limite, esses intermediários, como pequenas e médias distribuidoras e os chamados TRR (Transportador-Revendedor-Retalhista, figura que revende diretamente a consumidores comerciais) já poderiam estar travando volumes para vender a preços mais altos no futuro, o que justificaria as perturbações precoces.

“Ainda é uma tese, mas a impressão que temos é a de que, na iminência de um possível aumento da Petrobras, alguns distribuidores estariam segurando produto para realizar lucros maiores na frente. E parece ser um problema mais dos TRR, que atendem ao mercado muitas vezes sem contratos longos e não são obrigados a fornecer”, diz uma fonte da ANP.

Movimentos de mercado desse tipo foram verificados na esteira da guerra entre Rússia e Ucrânia, ao longo do ano de 2022, quando o preço do petróleo disparou e o mercado brasileiro, por força da Petrobras, amorteceu a volatilidade com “delay” ou quebra no repasse da apreciação internacional ao mercado interno.

Corrida por estoques
Conforme apurou a Agência iNFRA, mais do que queixas de consumidores finais sobre falta de produto à venda, já haveria reclamações de agentes em papel de distribuição, como os TRR, que aumentaram pedidos a fornecedores para além de sua capacidade de armazenagem.

Junto à Petrobras, por exemplo, essas cotas são definidas previamente, habilitadas em função de encomendas anteriores e tratadas com rigor. Nos bastidores, fala-se que a estatal ampliou a restrição a cotas extras, para garantir todas as cotas já previstas, a despeito dos pedidos maiores de algumas distribuidoras. Segundo uma fonte da ANP, em caso de um cenário de maior desequilíbrio, a agência poderia editar norma para reforçar o cumprimento de cotas já estabelecidas entre fornecedores e distribuidores.

Preços
Na faixa dos US$ 72 por barril há onze dias, o petróleo tipo Brent fechou na segunda-feira (9) a US$ 98,96, mas chegou a ultrapassar os US$ 119 no início da sessão. Essa variação fez o PPI (Preços de Paridade Internacional) dos combustíveis, sobretudo diesel e gasolina, dispararem, se distanciando dos preços praticados pela Petrobras em suas refinarias.

No meio da tarde, segundo a consultoria de preços StoneX, o preço do diesel praticado no Golfo do México (EUA) chegou a estar R$ 2,05 por litro ou 63,4% acima dos preços da Petrobras, e o produto de fora dos EUA, como o de origem russa, esteve R$ 1,64 ou 50,7% acima do diesel da estatal. Com o arrefecimento do preço do petróleo no fim da sessão, essa defasagem diminuiu.

A Petrobras não reconhece cálculos de PPI feitos por empresas ou consultorias privadas, embora admita que sua política de preços é influenciada por fatores como o Brent, o câmbio e a estratégia de manutenção ou expansão da participação de mercado. Seja qual for a defasagem calculada internamente pela empresa, a realidade dos preços internacionais a pressiona – e muito – no sentido de um reajuste, leitura compartilhada pelo restante da cadeia. 

Na semana passada, porém, a presidente da empresa Magda Chambriard sugeriu que a duração da guerra no Oriente Médio e um novo patamar de preços ainda não estavam claros, descartando reajustes imediatos, embora tenha dito que a política de preços será respeitada. Variações de preço como as verificadas nesta semana, de US$ 20 em questão de horas, fortalecem, ao menos por ora, a posição de Magda.

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