09/06/2026 | 11h00

Geradores não responderam a comando para não produzir energia no domingo

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Marisa Wanzeller e Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

Parte dos pequenos geradores acionados para interromper a produção de energia injetada nas redes das distribuidoras não respondeu aos comandos das concessionárias, disseram fontes à Agência iNFRA. Os pedidos foram realizados no último domingo (7) como parte do plano de corte de geração de usinas tipo 3, orientado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) devido devido a previsões de carga baixa no sistema.

Interlocutores apontam que as distribuidoras ainda estão apurando qual foi o montante efetivo de geração cortada e eventuais intercorrências. Coletados todos os dados, as informações serão encaminhadas ao ONS, que tem até 30 dias para enviar um relatório de pós-operação à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). 

Caso seja comprovada a falta de resposta ao comando das distribuidoras, a reguladora poderá abrir processo fiscalizatório contra os geradores, explicaram fontes.

O ONS havia acionado doze distribuidoras no sábado (6) solicitando um corte total de 1 GW (gigawatt) entre 10h e 14h de domingo. São elas: Celesc, Cemig, Neoenergia Coelba, Copel, CPFL Paulista, EDP ES, Neoenergia Elektro, Energisa Mato Grosso, Energisa Mato Grosso do Sul, Equatorial Goiás, Neoenergia Pernambuco e RGE. Essas concessionárias somam 80% das usinas tipo 3 do país.

‘Teste’
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, disse durante um evento nesta segunda-feira (8) que a medida de corte das usinas tipo 3 foi “um teste” e “correu bem”. Foi a primeira vez que o plano emergencial foi acionado, visando equilibrar a alta geração de MMGD (Micro e Minigeração Distribuída), combinada a uma carga menor por conta do fim de semana prolongado em função do feriado de Corpus Christi e com temperaturas amenas na maior parte do país.

“Geralmente, no fim de semana, a carga fica em torno de 40 GW a 50 GW. Estava prevista uma carga ontem [domingo] em torno de 27 GW a 30 GW, muito abaixo. Então, a gente entrou com um plano de corte na geração tipo 3”, explicou Rea durante participação no evento LawInfra, em Brasília. 

“A gente deu um comando de cortar, [tivemos que] pedir para que as distribuidoras cortem, segurem essa energia para ela não entrar no sistema. Foi um teste, primeira vez no Brasil que a gente faz essa operação e correu tudo bem. Mas tivemos que depender das distribuidoras, porque a gente não enxerga essa energia.”

Em seu discurso, Rea também defendeu que haja um avanço regulatório para que o ONS passe a ter controle desse tipo de geração. 

Curtailment
A expectativa é de que as usinas cortadas peçam ressarcimento pelos cortes de geração (curtailment) junto à ANEEL. Segundo fontes, a agência deverá se preparar para um debate de curtailment voltado a esse tipo de geração, conectada diretamente à distribuição. “É inevitável”, avalia um interlocutor a par das discussões.

Há uma peculiaridade quanto ao corte de geração das usinas à biomassa, uma vez que a produção de energia está atrelada à produção de outros insumos, por exemplo, a partir da cana-de-açúcar e da celulose. Segundo fontes, esses geradores estariam se preparando para deslocar a produção geral a fim de minimizar os impactos. “O problema é se isso se tornar um rito ordinário”, disse uma pessoa a par do tema. 

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