Guerra traz novo cenário para infraestrutura, com riscos atuais ainda dificultando processos

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

A guerra na Ucrânia está indicando uma mudança para o cenário futuro de algumas áreas do setor de infraestrutura no país, com novas oportunidades surgindo a partir das alterações que o processo de globalização deverá ver nos próximos anos.
 
Mas os problemas atuais – parte deles causados pela própria guerra – vão impor desafios para os gestores públicos na implementação de projetos e na realização de novos investimentos para os setores, especialmente nas áreas de transportes.
 
A avaliação é de especialistas que falaram com a Agência iNFRA nas últimas semanas. A KPMG está lançando um estudo com as principais tendências para a infraestrutura brasileira nos próximos anos.
 
Leonardo Giusti, sócio-líder de infraestrutura, governo e saúde da KPMG, e Daniela Macário, gerente do segmento no Brasil, indicaram temas que serão relevantes para as áreas de transportes, inclusive relativos a implementação de novas tecnologias e as relações com as cadeias de suprimento.
 
Segundo o trabalho, a agenda de investimentos privados e de novas concessões “está tornando-se realidade e o governo vem instituindo medidas provisórias e novas regulamentações que facilitam a interação e tomada de decisão com o mercado privado”.
 
Para Daniela Macário, os investidores em infraestrutura visam cenários de longo prazo e as oscilações são comuns durante os projetos. Mas, de acordo com ela, o cenário pode levar a postergações de tomadas de decisões, principalmente pela análise dos desdobramentos da guerra na Ucrânia no cenário global.

Daniela acredita que não deve haver mudança em relação a algo que é essencial: a necessidade do país de atender à demanda para o aumento da produção nacional. “Existem pressões que contribuem para um cenário instável, mas os investimentos em infraestrutura não deverão sofrer grande impacto”, disse Daniela.

Confluência de problemas
Ewerton de Souza Henriques, diretor de Infraestrutura do Banco Fator, chama o momento atual de “confluência de problemas”. Além da guerra, na visão dele, há impactos no setor referentes a juros, inflação e também o período eleitoral.
 
Para ele, isso faz com que projetos que tenham estruturações mais bem resolvidas, como os de iluminação pública, com receitas estabelecidas e melhores garantias, possam sofrer menos e seguir. Outras áreas devem seguir fortes por causa de marcos regulatórios que vão pressionar a realização de investimentos, como é o caso do saneamento básico, com datas para cumprimento de metas, e a geração fotovoltaica, com prazos para que os projetos recebam benefícios.
 
A falta de solução para os problemas de concessões passadas deverá fazer com que os projetos dos setores rodoviários e aeroportuários tenham um caminho mais difícil nos próximos anos, na avaliação do diretor. 

Desafio do financiamento 
E, na avaliação de Henriques, há um grande desafio a ser vencido por todos, que são os financiamentos de longo prazo para esses projetos. Para ele, se os volumes de investimentos previstos se concretizarem, o modelo atual de financiamento via mercado não será suficiente.
 
“O BNDES saiu do 80 para o oito”, comentou, sobre a saída do banco dos financiamentos de infraestrutura.
 
Alberto Sogayar, sócio do MAMG Advogados, avalia que a guerra trouxe de volta oportunidades no setor de óleo e gás offshore, visto os valores dos preços do petróleo no momento. Mas, segundo ele, os investimentos podem avançar apenas se o marco legal do setor for revisto.
 
Para ele, o ano eleitoral pode ter influência no setor de aeroportos, mas a área tem um caminho irreversível para as privatizações. Ele não acredita, no entanto, nos projetos de relicitação do setor, que, para o advogado, estão mais complicados do que o Ministério da Infraestrutura está apresentando. 

Demanda por TUP 
Sogayar também notou que houve uma repentina demanda por conhecer melhor projetos de TUP (terminal portuário privado) no país. Para ele, isso decorre de uma possível análise da falta de capacidade do país de escoar a produção que pode aumentar por aqui por causa da rearranjo das cadeias globais de produção.
 
No caso das ferrovias, o advogado avalia como “possibilidade maravilhosa” a criação do novo marco legal do setor, mas diz que ele ainda gera dúvidas. Leonardo Giusti, sócio-líder da KPMG, diz que dobrar a participação do modal ferroviário no transporte depende de investimentos não apenas nas ferrovias.

“O que potencializa e atrai o uso da ferrovia é sua integração com as rodovias e terminais marítimos. Precisamos ter uma visão holística do setor sob a ótica de logística, não de um modal isolado e especificamente”, alertou.

Diesel é risco 
Para ele, a fonte energética das ferrovias ser 100% o diesel é outro fator de risco para o setor. Será necessário buscar novas fontes energéticas. Giusti lembra ainda que as ferrovias e outros setores vão precisar extrair mais resultados da gestão de dados e trabalhar pela desburocratização dos seus setores em relação à incorporação de novas tecnologias.
 
“Não há dúvidas de que a tecnologia já está promovendo transformação”, citando como tendências, entre outras, a eficiência energética, smart ports, free flow em rodovias, manutenção preditiva em ferrovias, aumento de disponibilidade de transporte público via controle de massa e aeroportos inteligentes.

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