Ana Luísa Egues e Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quinta-feira (8) que as incertezas relacionadas ao preço do barril de petróleo e dos combustíveis continuam devido a fatos concretos, mas também às declarações volúveis do presidente americano, Donald Trump. Por isso, segundo ela, o patamar de preços anterior à guerra entre Irã e Estados Unidos vai demorar mais a ser retomado. O barril de Brent para dezembro oscilava na casa dos US$ 103 na sessão desta tarde.
“Em termos de preço, as incertezas continuam. Estávamos com crack spread do diesel (diferencial entre o preço do combustível e do petróleo) de mais de US$ 100. Uma única declaração do presidente dos Estados Unidos, em que ele foi dizer para Inglaterra e França liberarem uma parte do estoque estratégico de diesel, só isso, fez o crack spread cair US$ 20. Não aconteceu nada e caiu US$ 20 por barril. Não aconteceu nada e disseram que o oleoduto na Arábia Saudita está funcionando, o que aliás sempre esteve, e caiu outro tanto, mais de US$ 10 por barril de diesel. Então a gente continua nessa incerteza, que tem a ver com fatos concretos e retórica também”, disse Magda em evento no IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), no Rio de Janeiro.
Esta não foi a primeira vez que Magda citou Trump como fonte de incertezas no mercado de óleo e gás que afetam os preços, pressionando e aliviando seus agentes de forma não estrutural. No início do ano, a Petrobras esperava que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do barril de Brent arrefecessem “perto do fim do ano”. No fim de abril, ela chegou a dizer que a companhia projetava um preço recuando para US$ 70 por barril ao fim de 2026, o que significaria uma volta ao patamar pré-guerra. Mas o diagnóstico é de que, agora, essa normalização deve demorar mais tempo.
“A gente realmente acha que aquele patamar de fevereiro agora está parecendo que vai custar um pouco mais para ser retomado”, disse. O preço do Brent impacta não só a projeção de receita da Petrobras, mas todo o planejamento de investimentos contido no Plano Estratégico para cinco anos à frente, que será divulgado em novembro deste ano.




