Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA
A Karoon busca parceiros para desenvolver o bloco Esmeralda, localizado no pré-sal da Bacia de Santos e arrematado integralmente pela companhia australiana no 3º Ciclo da OPP (Oferta Permanente de Partilha), realizado em outubro de 2025. Segundo a empresa, o atual risco exploratório do bloco só poderá ser mitigado com outras operadoras, tendo em vista os custos para a perfuração, a dificuldade no processo de afretamento de sondas no Brasil e o tempo necessário para o recebimento das licenças ambientais pelo Ibama. A ideia de procurar parceiros também se aplica a outros blocos – nestes casos, de concessão – que foram arrematados pela empresa na mesma bacia nas últimas rodadas de oferta permanente feitas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
A aquisição de Esmeralda marcou a entrada da Karoon no pré-sal. Segundo o vice-presidente executivo e country manager da Karoon Energy, Marco Brummelhuis, a compra da área se justificou pela proximidade com os campos de Baúna e Neon, também operados pela companhia na Bacia de Santos. “Vimos um horizonte interessante na região desses blocos. Não posso dizer potencial porque ainda não perfuramos um poço. Mas, se as projeções forem efetivamente comprovadas, poderia ser algo muito grande”, disse o executivo à Agência iNFRA. Com isso em mente, a companhia comprou, primeiro, os blocos de concessão. Depois, identificou que o reservatório continuava até Esmeralda, arrematando o bloco no final do ano passado.
Mas, por conta do risco exploratório e do tamanho da Karoon, Esmeralda não será desenvolvido sem parceiros. “A companhia possui um valor de US$ 1 bilhão, aproximadamente. Não podemos arriscar tudo perfurando três poços, por exemplo, por US$ 200 milhões, US$ 300 milhões. Se a decisão fosse somente minha, eu perfuraria amanhã. Mas não temos o fluxo de caixa de uma major para fazer isso”, explicou Brummelhuis. Desta forma, o plano para Esmeralda consiste em perfurar um ou dois poços já com algum parceiro no bloco, para um maior entendimento do reservatório e para que esses custos sejam divididos – mas tudo vai depender do resultado dos poços perfurados. No momento, a companhia está em conversas iniciais com a PPSA (Pré-Sal Petróleo S/A), com o objetivo de entender quais estudos precisam ser feitos e de como estruturar o projeto para apresentar aos possíveis interessados.
A ideia é semelhante para os blocos de concessão localizados na Bacia de Santos. A empresa detém nove blocos de concessão na bacia, sendo um mais velho, da 14ª Rodada da ANP, dois do 4º Ciclo da OPC (Oferta Permanente de Concessão) e seis que foram adquiridos no 5º Ciclo da OPC. Contando somente os oito blocos mais recentes, dois poderão ser desenvolvidos junto com o campo de Neon, possivelmente via tie-back, uma vez que seus volumes não se justificam isoladamente. Os outros seis estão mais afastados do polígono do pré-sal. “Mas o objetivo é igual: enxergamos informações interessantes e vamos abrir um data room para que outras companhias demonstrem, ou não, o seu interesse”, disse Marco.
O campo de Neon, atualmente em desenvolvimento, é o próximo passo de desenvolvimento do portfólio da Karoon. O projeto inicial contempla um FPSO stand-alone reaproveitado, com pouca capacidade – entre 20 a 40 mil barris por dia – para produzir a partir de três poços produtores e de um poço injetor de gás. De acordo com o country manager, Neon não é um reservatório grande, por isso ele precisa de volumes de outras áreas para ser viável economicamente. “Nós olhamos FPSOs de segunda ou terceira mão, mas que estejam em bom estado. Esperamos ter uma decisão final de investimento [FID, na sigla em inglês] sobre o desenho para Neon no final de 2027”, finalizou.
Além dos 10 blocos mencionados e dos campos de Baúna e Neon, a Karoon opera, no Brasil, o campo de Goiá, atualmente em desenvolvimento e também situado na Bacia de Santos. A companhia está apta a participar das próximas rodadas de oferta permanente de concessão e de partilha, que serão realizadas conjuntamente pela ANP no dia 7 de outubro.





