01/09/2026 | 18h56  •  Atualização: 01/09/2026 | 20h05

Motiva vende seus 20 aeroportos a grupo mexicano por R$ 12,2 bi

Foto: Motiva

da Agência iNFRA

A Motiva anunciou nesta terça-feira (1º) a conclusão da venda de 100% de sua plataforma de aeroportos para o mexicano ASUR (Grupo Aeroportuario del Sureste), por R$ 12,21 bilhões. O valor final inclui R$ 5,19 bilhões pela aquisição das ações da holding que concentrava as participações nos terminais e R$ 7,02 bilhões em dívidas dos ativos. A venda faz parte da estratégia da Motiva de concentrar sua atuação nos segmentos de rodovias e trilhos.

O negócio envolve 20 aeroportos na América Latina, sendo 17 no Brasil e três no exterior, com movimentação anual de cerca de 45 milhões de passageiros e mais de 200 rotas regulares. Entre os principais ativos brasileiros transferidos estão os aeroportos de Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO).

A conclusão ocorreu após a obtenção das aprovações dos órgãos de defesa da concorrência, credores e poderes concedentes dos países onde a Motiva mantinha operações aeroportuárias: Brasil, Equador, Costa Rica e Curaçao. Segundo a companhia, o processo competitivo pela plataforma contou com a participação de mais de 20 grupos europeus, latino-americanos e asiáticos.

Transição
Com o fechamento da operação, terá início um período de transição para a transferência dos ativos e dos sistemas corporativos e administrativos da Motiva para a ASUR. Durante essa etapa, o Centro de Serviços Compartilhados da companhia continuará prestando temporariamente serviços de backoffice ao grupo mexicano, incluindo folha de pagamentos, suprimentos e TI (Tecnologia da Informação).

Os funcionários que trabalham na plataforma de aeroportos também serão transferidos para a ASUR. A previsão é que a mudança ocorra no dia seguinte à conclusão da transação. A estrutura de transição, segundo a Motiva, busca assegurar a continuidade das operações nos 20 terminais sem impactos aos passageiros.

Foco em modais
A venda faz parte da estratégia da Motiva de simplificar seu portfólio e concentrar a atuação nos segmentos de rodovias e trilhos. O movimento integra o planejamento denominado Ambição 2035 e sucede outras mudanças realizadas pela companhia, como o encerramento da operação das Barcas, no Rio de Janeiro, e a repactuação do contrato da BR-163/MS, atualmente operada pela Motiva Pantanal.

Os recursos obtidos com a transação serão utilizados para reduzir o endividamento da holding. A companhia estima que a operação levaria sua alavancagem consolidada de 3,7 vezes para cerca de três vezes, ampliando sua capacidade financeira para realizar novos investimentos.

A empresa tem mapeada uma carteira de aproximadamente R$ 170 bilhões em oportunidades para novas concessões de rodovias, trens e metrôs no Brasil nos próximos anos. A saída do setor aeroportuário, portanto, deverá liberar capacidade financeira para a participação nesses projetos e reforçar o foco nos dois segmentos que permanecerão no portfólio.

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