30/10/2026 | 12h53

PDE: biocombustíveis devem receber R$ 142 bi em investimentos até 2036

Foto: Embrapa

Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA

O segmento de biocombustíveis deve receber R$ 142 bilhões em investimentos entre 2027 e 2036, segundo estimativas do Caderno de Biocombustíveis e Combustíveis Sintéticos do PDE (Plano Decenal de Energia) 2036. O documento foi divulgado pelo MME (Ministério de Minas e Energia) e pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) na quinta-feira (29).

De acordo com as projeções, a oferta brasileira de etanol deve crescer 2,5% ao ano na próxima década, saltando de 41,6 bilhões para 53,1 bilhões de litros, impulsionada pelo etanol de milho, que responderá por 40% desse volume ao final do período. Já a demanda por biodiesel deve alcançar 14,7 bilhões de litros em 2036.

Os projetos de SAF (combustível sustentável de aviação, na sigla em inglês) e diesel verde devem receber cerca de R$ 39 bilhões, enquanto R$ 31,1 bilhões devem ser investidos em biometano. Outros R$ 25,3 bilhões devem ser aportados em etanol de milho e outros cereais, e R$ 24,1 bilhões na formação de canaviais, segundo o estudo.

Etanol hidratado e etanol de milho
O etanol de cana-de-açúcar manterá participação relevante no fim do horizonte, de cerca de 60% da oferta, enquanto o etanol de milho seguirá em expansão, com ampliações e novas unidades que acrescentam, ao todo, 9,6 bilhões de litros de capacidade. Por sua vez, a produção de E2G (etanol de segunda geração) deverá alcançar 600 milhões de litros em 2036.

A demanda total de etanol deverá atingir 50,7 bilhões de litros em 2036, considerando a mistura obrigatória de 30% de etanol anidro na gasolina C. O etanol hidratado ganhará competitividade frente à gasolina, impulsionado pelos sinais do RenovaBio e pelos ganhos de produtividade do setor. O estudo também prevê demanda de cerca de três bilhões de litros de etanol para a produção de SAF e para os usos aquaviário e na aviação agropecuária, além de exportações líquidas de 2,4 bilhões de litros.

Biodiesel e biometano
A demanda mandatória de biodiesel deverá chegar a 12,7 bilhões de litros em 2036, com o teor obrigatório de 15% no diesel B. Somados os usos voluntários, a demanda total deverá alcançar 14,7 bilhões de litros no fim do horizonte decenal. O caderno inclui ainda uma análise de sensibilidade para misturas entre 13% e 25%, limites mínimo e máximo previstos na Lei do Combustível do Futuro.

No biometano, a meta de descarbonização do setor de gás natural, fixada em 0,5% para 2026, poderá chegar a 10% em 2036, limite previsto na lei. O estudo indica que a capacidade autorizada e em autorização pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) garante o atendimento da demanda mandatória até 2029 e que o alcance da meta em 2036 exigirá cerca de 8,5 milhões de metros cúbicos por dia de capacidade adicional.

SAF e captura de carbono biogênico
Com o início da fase obrigatória do Corsia (Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional, na sigla em inglês) e das metas do ProBioQAV (Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação) em 2027, os projetos de SAF anunciados no país deverão produzir 1,7 bilhão de litros por ano a partir de 2030 e 3,6 bilhões de litros em 2036. Entre 2027 e 2036, esses projetos atendem, em média, a 76% das metas de redução de emissões definidas pelo Corsia e pelo ProBioQAV. O caderno estima ainda uma produção de 850 milhões de litros de diesel verde em 2036.

O estudo destaca o potencial do BECCS (captura e armazenamento de carbono biogênico, na sigla em inglês) no Brasil: a fermentação alcoólica gerou 26,5 milhões de toneladas de CO₂ biogênico de alta pureza em 2025, volume que pode chegar a 38,4 milhões de toneladas em 2036.

Consulta pública
A consulta pública do PDE 2036 está aberta até a próxima sexta-feira (6). Interessados podem consultar os estudos e encaminhar contribuições para o aprimoramento do planejamento energético nacional. Elaborado anualmente pela EPE, sob diretrizes do MME, o PDE apresenta, com base em um cenário de referência, perspectivas para a evolução da oferta e da demanda de energia.

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