Opinião
12/05/2026 | 16h24

Saneamento é a maior agenda de desenvolvimento municipal desta década

Foto: Divulgação

Fabiano Dallazen*

Poucas decisões tomadas hoje terão impacto tão duradouro sobre a qualidade de vida nas cidades quanto a universalização do saneamento básico. Até 2033, o Brasil precisa levar água tratada a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90%. Isso exige investimentos de centenas de bilhões de reais, o que significa um volume jamais realizado na história do setor. Um desafio monumental que também representa uma das maiores oportunidades de desenvolvimento urbano desta década: a de transformar indicadores de saúde, educação, meio ambiente e desenvolvimento econômico em escalas municipal, estadual e nacional.

Os efeitos são diretos, amplos, mensuráveis e permanentes. Cada real investido no setor retorna múltiplos benefícios para a economia local e para a qualidade de vida da população. Municípios com saneamento avançado registram menos internações por doenças relacionadas à água, melhora do desempenho escolar, maior valorização imobiliária de bairros inteiros, maior atração de investimentos privados e melhoria consistente nos indicadores sociais. Trata-se de infraestrutura invisível no cotidiano, mas decisiva para saúde pública, meio ambiente e competitividade regional.

Para alcançar esses resultados, porém, será necessário executar milhares de intervenções urbanas simultâneas, um volume de obras sem precedentes: modernização de sistemas de água, construção de estações de tratamento, implantação de redes de esgoto e milhões de ligações domiciliares. Esse projeto envolve intervenções urbanas intensivas e inevitavelmente complexas, muitas delas abaixo do solo, mas que impactam diretamente a dinâmica da vida urbana durante toda a sua execução. Exigem escavações em ruas de grande circulação, interferem no trânsito, demandam recomposição de pavimento asfáltico e dependem de licenças ambientais e autorizações diversas. Também requerem a adesão da população por meio das ligações domiciliares, etapa essencial para que o sistema funcione plenamente e gere benefícios sanitários e ambientais. O ponto é que nenhuma cidade do mundo alcançou altos níveis de saneamento sem passar por esse período de transição. Obras visíveis durante a execução, que se tornam invisíveis quando concluídas.

Esse processo só se consolida com coordenação entre poder público municipal, concessionárias do serviço e comunidade. E é justamente nesse ponto que a parceria com os prefeitos se torna decisiva. A gestão municipal é a principal interlocutora da população e o elo entre as necessidades locais e a execução das obras. É quem articula o território, organiza o espaço urbano, dialoga com os moradores e viabiliza as condições para que as obras avancem. Quando há cooperação institucional e comunicação clara com a comunidade, os resultados chegam mais rápido, os impactos são melhor administrados, as resistências naturais a intervenções dessa magnitude são reduzidas e os benefícios aparecem ainda dentro do ciclo de gestão.

Operações de saneamento estruturadas ao longo de décadas vêm passando por processos de modernização para cumprir metas legais de universalização. Em ano eleitoral, é natural que a população cobre resultados imediatos. O saneamento, porém, é uma agenda de Estado e de longo prazo. Obras começam sob uma gestão e entregam benefícios permanentes para várias gerações. Prefeitos que lideram esse processo têm a oportunidade de deixar uma marca na história, com um legado concreto: menos doenças, mais valorização urbana, maior segurança hídrica e condições reais para crescimento econômico sustentável. Por isso o papel dos municípios é tão decisivo nessa jornada.

O Brasil vive uma janela histórica para resolver um déficit que se arrasta há mais de um século. Aproveitá-la exige visão estratégica, cooperação entre entes públicos e concessionárias e compromisso com resultados de longo prazo. A universalização do saneamento é uma obrigação legal que cria a oportunidade de reposicionar os municípios brasileiros em um novo patamar de desenvolvimento. Com foco no interesse público, é possível antecipar benefícios que normalmente levariam décadas para chegar, com a redefinição de padrões de qualidade de vida, de preservação dos recursos hídricos e a criação de bases sólidas para melhorias reais de saúde pública. O resultado, ao contrário das obras, será visível, mas também notório: cidades mais saudáveis, resilientes e atrativas para se viver e investir.

*Fabiano Dallazen é diretor de Relações Institucionais do Grupo Aegea, Regional Sul.

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