Gabriel Vasconcelos e Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA
O coordenador do Programa de Novos FPSOs (Profort) da Petrobras, Lourenço Fróes, indicou nesta sexta-feira (11) que a estatal considera renovar os contratos de operação dos navios-plataforma do projeto de Seap (Sergipe Águas Profundas) com a construtora e operadora SBM Offshore. Hoje eles têm duração de 6 anos e meio.
Os contratos para os dois FPSOs do projeto são os primeiros em modelo BOT (Build, Operate and Transfer) da Petrobras, no qual a contratada é responsável pelo projeto, construção, montagem e operação do ativo por um período inicial definido em contrato. Depois, a operação é transferida para a Petrobras. No caso de Seap, os contratos entre as partes foram assinados em maio de 2026 em valores superiores a US$ 7,8 bilhões.
Segundo Lourenço, é justamente esse período de operação inicial que pode ser esticado. No contrato, a brecha é de uma renovação de mais sete anos que, se for acionada, poderia levar a operação da SBM a 13,5 anos.
“É um contrato renovável, e é possível que haja essa renovação também, dessa janela onde a Petrobras não estará operando”, disse Lourenço em evento organizado na sede da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).
Em seguida, a gerente de desenvolvimento de negócios e comercial da SBM, Kássia Paste, demonstrou interesse na renovação do contrato, ao dizer que, em geral a empresa opera navios por 20 ou 22 anos, tempo bem superior ao teto de possibilidades dos contratos de Seap.
“Ainda com uma extensão [da operação], o prazo seria menor que os de FPSOs afretados. O potencial da região de Sergipe é grandioso. A gente não quer ir pra lá, viver isso, e simplesmente sair de lá. O que a gente tem feito em outros países demonstra como queremos deixar um legado mais longo”, disse Kássia.
Em apresentação, a executiva mostrou que a empresa planeja o início das ações de engajamento local, com abertura de um escritório em Sergipe já em 2027. A previsão é que o primeiro navio-plataforma, o Seap II, tenha primeiro óleo em 2030, enquanto o segundo, Seap I, o faça em 2031. Trata-se de FPSOs considerados gêmeos, ou seja, praticamente iguais, cada uma com capacidade para produzir 120 mil barris por dia e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
Modelo BOT
Lourenço, da Petrobras, reiterou que o projeto de Seap e sua licitação demonstrou a viabilidade do modelo BOT, que deverá ser adotado em outros projetos da Petrobras. Segundo ele, a contratação unificada de dois FPSOs foi um diferencial no processo, tornando-o mais atrativo aos fornecedores.
O modelo BOT será adotado, também, para o projeto de revitalização de Albacora, na Bacia de Campos, com licitação de uma nova plataforma (P-88) em andamento e cinco propostas já conhecidas. Nesse caso, o novo modelo de negócio foi fundamental para destravar o projeto que, no passado, já teve previsão de operação em 2027, agora prevista para depois de 2031.
Nesse caso, a malaia Yinson saiu na frente, com o menor preço apresentado, US$ 2,29 bilhões, mais em conta que as propostas da chinesa COOEC (US$2,84 bilhões), a indiana Shapoorji Pallonji (US$2,9 bilhões), a também malaia MISC (US$3,05 bilhões) e a norueguesa BW Offshore (US$3,19 bilhões). Os documentos apresentados serão analisados pela Petrobras para ratificar a empresa vencedora.





