Gabriel Vasconcelos e Lais Carregosa, da Agência iNFRA
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta sexta-feira (13) que, sem o programa de subvenção do governo, o aumento implementado pela companhia no óleo diesel seria de R$ 0,70 por litro.
“Caso não houvesse a política do governo, nós estaríamos aumentando em R$ 0,70, e o consumidor final estaria pagando mais R$ 0,70 pelo litro do diesel. Estamos transformando um acréscimo de R$ 0,70 em um acréscimo irrisório, praticamente nenhum, de R$ 0,06 por litro”, disse Magda.
Na prática, explicou a executiva, fica protegido o ganho da Petrobras, resultado da soma do aumento recém-anunciado no preço das refinarias (R$ 0,38 por litro) e a subvenção de R$ 0,32 por litro dada pelo governo aos refinadores.
Já os consumidores assistirão a uma alta próxima a R$ 0,06, resultado da diferença entre o aumento da Petrobras (R$ 0,38 por litro) e o corte de R$ 0,32 por litro ligado à zeragem dos impostos federais PIS e Cofins. Na prática, esse valor é ainda menor, de R$ 0,05 por litro, visto que o diesel A responde por 85% da mistura vendida nos postos, sendo os outros 15% de biodiesel.
Magda fez a ressalva de que este será o valor repassado à ponta da cadeia desde que outros agentes da cadeia (distribuidores e varejistas) não aumentem suas margens. O governo tem apontado abuso de preço por parte desses intermediários, que argumentam repassar apenas o preço das parcelas de produto importado.
“Em momento de alta volatilidade, no Brasil, os agentes econômicos infelizmente aproveitam para aumentar mais. É retenção de estoque, que de vez em quando acontece, e vocês [imprensa] dizem ‘ah, está faltando produto em tal lugar’. Como é que está faltando produtos que nós entregamos? Então a gente pode supor que não é falta de produto, é retenção de produto de gente especulando para aumentar mais”, disse a executiva, endossando a leitura do governo.
Política de preços
Magda afirmou, ainda, que a política de preços de derivados da Petrobras continua “rigorosamente” a mesma e funcional, com possibilidade de novos aumentos à frente.
“O aumento de hoje é porque identificamos a necessidade de aumentar um pouco o preço do diesel, que não tinha mudança há cerca de 310 dias. Esse reajuste de hoje do diesel está em plena consonância com a estratégia de preços da Petrobras, cujo pilar fundamental é não repassar a volatilidade dos preços internacionais ao preço doméstico”, disse.
Questionada sobre possíveis reajustes futuros na gasolina, Magda disse que ainda não há uma decisão, mas reforçou que não há conversas em curso nesse sentido.
Sobre o Brent, a executiva disse que a companhia espera uma cotação de Brent subindo ainda mais e permanecendo em patamares mais altos ao longo do ano, mas com uma queda ainda dentro de 2026, na “direção do fim do ano”.
Imposto de exportação
Com relação ao imposto de 12% sobre exportação de petróleo, Magda minimizou seus impactos na receita das petroleiras exportadoras, dizendo que a escalada da cotação do Brent mais do que compensará a perda com a taxa.
“É cenário de guerra, eu tenho um produto que eu estava exportando a US$ 60, chegou a US$ 100. Posso reclamar de um imposto temporário de 12%? A cotação compensa o imposto em muito”, disse. Em uma conta rápida, ela concluiu que há poucas semanas se vendia petróleo a US$ 60 por barril e, recentemente, esse preço foi à casa dos US$ 100, o que, com o imposto, cairá para perto de US$ 88. “Ainda é sensivelmente acima”, afirmou.







