Marília Sena*, da Agência iNFRA
O presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Jr., disse nesta terça-feira (13) que a companhia prefere aguardar a íntegra do edital do leilão do Tecon Santos 10 para decidir se vai entrar na disputa pelo ativo. Russi Jr. argumentou que a JBS Terminais tem condições de “operar qualquer instalação” e que a empresa está ativa para entender quais oportunidades são aderentes ao seu negócio.
Em entrevista à imprensa concedida nas instalações da JBS, no Porto de Itajaí (SC), o executivo disse que a companhia esperava que o edital do Tecon 10, projetado para o Porto de Santos, já estivesse publicado para que pudesse avaliar todas as condições do certame.
Apesar do que já foi divulgado até o momento, incluindo a posição final do TCU (Tribunal de Contas da União), Russi Jr. disse que ainda há dúvidas que precisam ser esclarecidas, inclusive operacionais e de detalhes do investimento demandado, montante que “se conhece superficialmente”.
Sobre a questão operacional, o executivo colocou em dúvida o potencial de o futuro terminal ter de fato capacidade para movimentar 3,2 milhões de TEUs (medida de contêiner). “Isso muda muito o modelo do negócio”, afirmou.
Segundo o formato de leilão elaborado pela ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), que veda a entrada de empresas que já operam no Porto de Santos numa primeira fase do leilão, a JBS Terminais seria uma das companhias que teria o caminho aberto para disputar o ativo.
No TCU, a corte também recomendou que a restrição seja elevada às companhias de navegação, o que foi acatado pelo MPor (Ministério de Portos e Aeroportos). O presidente da JBS Terminais rejeitou a avaliação de que a companhia seria favorecida pelas restrições, por entender que haverá grande competição pelo terminal.
“Eu acho um tanto arriscado dizer que isso pode favorecer A ou B. Porque imaginemos aqui que os grandes operadores portuários mundiais, que não estão relacionados ao grupo econômico de armadores e que de fato já se colocaram postulantes a concorrer, vão estar concorrendo. Então é um ativo extremamente estratégico [para o qual], com certeza absoluta, competição não vai faltar”, respondeu.
Perguntado ainda se a empresa avaliaria uma joint venture numa eventual operação, afirmou que “posteriormente cabe-se avaliar qualquer oportunidade que seja aderente” ao que a companhia planeja.
Como mostrou a Agência iNFRA, principal foco de atenção do mercado sobre o projeto, as regras de restrição à participação de empresas no leilão do ativo vão passar por uma fase de refinamento nas próximas semanas. Depois de o MPor despachar o processo na segunda-feira (12) à ANTAQ, ficará a cargo do regulador desenhar no detalhe qual será o alcance do veto à entrada de armadores e de incumbentes na primeira etapa do certame.
A pasta ainda estima que poderá fazer o leilão na segunda quinzena de março. O edital precisa ser finalizado e aprovado pela diretoria do órgão regulador antes da publicação.
*A repórter viajou para Itajaí (SC) a convite da JBS Terminais. Este texto foi atualizado às 09h33 de quarta-feira (14) para detalhamento de informações.







