Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA*
A Vale Metais Básicos, braço da mineradora Vale especializado em minerais e metais da transição energética, quer concentrar esforços nos ativos atuais de níquel e cobre, com parte deles inclusive oferecendo custo de capital menor do que o dos concorrentes. A avaliação é do diretor global de ativos e engenharia da companhia, Fábio Brandão, que participou nesta terça-feira (21) da feira de manufatura Hannover Messe 2026, na Alemanha.
“Vamos usar a estrutura existente, vamos usar o conhecimento existente, tudo que a gente sabe fazer para aumentar essa produção de cobre via primariamente ‘brownfield’ [ativos existentes]. Não vamos arriscar tanto em ‘greenfield’ [projeto iniciado do zero]”, afirmou Brandão. A produção de cobre se dá em mina no estado do Pará.
Na exploração de níquel, o executivo afirmou que a subsidiária também está bem posicionada no mercado. “No Canadá, onde ancoramos a estratégia, nós produzimos níquel ‘Classe 1’, que é um níquel de alta pureza, que atende até a indústria aérea espacial”, afirmou, em painel de debate promovido no Pavilhão Brasil.
A Vale detém 90% de participação na Vale Metais Básicos. Os 10% remanescentes pertencem à saudita Manara Minerals Investment Company.
Fora do ciclo
Na feira, realizada na cidade alemã de Hanôver, Brandão afirmou que o cobre e o níquel “se destacaram do ciclo natural de commodities” e passaram a ser considerados “ativos estratégicos” tendo em vista o contexto geopolítico e o salto da demanda associado aos processos de eletrificação da economia ligados à transição energética e ao avanço tecnológico.
“Não podemos mais olhar o cobre e o níquel naquele ciclo de commodities, onde você tem gatilhos de preços e decisões de curto prazo. Temos que pensar no longo prazo, que a demanda futura está hoje como não atendida”, disse o diretor da Vale Metais Básicos.
(*) O jornalista viajou para Hanôver a convite da Embaixada da Alemanha.







