26/01/2026 | 14h00

Mercado vê PLD mais elevado em 2026, com média acima de R$ 300/MWh

Foto: Domínio Público

Geraldo Campos Jr. e Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA

O setor elétrico tem projetado que o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), referência nas negociações no mercado livre de energia, será mais elevado ao longo de 2026 do que foi no ano passado. Segundo especialistas ouvidos pela Agência iNFRA, o cenário de chuvas abaixo do esperado neste período úmido pressiona os custos, gerando receio de que os preços fiquem em R$ 300/MWh (por megawatt/hora) na média do ano.

“Hoje o mercado está bastante receoso porque, se de fato essas chuvas não entrarem, a gente pode ter patamares de preços acima dos R$ 300/MWh. A gente tem agora basicamente três meses para conseguir recuperar os nossos reservatórios”, explicou Mateus Cavaliere, head em Planejamento e Inteligência de Mercado da consultoria PSR.

Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, endossa que o PLD deve variar ao longo do ano na faixa entre R$ 250 e R$ 450 por MWh, com um valor médio mensal pouco superior a R$ 300. Ele explica que neste mês de janeiro o preço já está três vezes maior que no mesmo mês de 2025, sobretudo porque os reservatórios do SIN (Sistema Interligado Nacional) estão com níveis cerca de 15 pontos percentuais inferiores aos registrados há um ano.

O especialista lembra que, em 2025, o PLD ficou abaixo de R$ 200/MWh na média em alguns meses, mas que seria “otimismo demais” projetar que isso se repita no ano de 2026. “Na situação atual, a menos que venha algo muito fora da curva na climatologia e a gente tenha um fevereiro e um março bem chuvosos, e que continue chovendo em abril, não dá para acreditar que a gente vai ter preços mais baixos que os atuais no segundo semestre”.

Matheus Machado, especialista em inteligência de mercado do Grupo Bolt, concorda com a tendência de um piso de R$ 250/MWh, o mesmo registrado no segundo semestre de 2025, mas destaca que esse cenário pode trazer dificuldades para empresas do setor. “O mercado dificilmente vai precificar o pior risco com meses de antecedência. Como os preços já estão muito elevados comparados aos anos anteriores, às vezes o senso comum pode passar a impressão de que já está muito alto. Então, o recado seria não assumir um risco de cauda este ano”.

Segurança do sistema
Os especialistas descartam risco de um apagão ou racionamento neste ano. No entanto, afirmam que o alerta fica para o ano seguinte, caso o próximo período úmido não recupere as perdas de 2025 como ocorreu na virada de 2021 para 2022. 

Há um consenso de que a atualização recente dos parâmetros de formação do preço da energia também influencia na alta registrada do PLD, embora por outro lado, tenha ajudado que o cenário dos reservatórios não esteja ainda pior. 

Para Cavaliere, da PSR, a sociedade optou por um modelo mais “conservador”, que “guarde mais água nos reservatórios sempre que possível”, então é natural que haja um custo associado. Em sua avaliação, o modelo atual reflete no preço “essa escassez de água nos reservatórios, esse momento mais delicado”. 

“Talvez anteriormente a gente estava com o preço artificialmente baixo. Porque a gente não tinha esse tipo de sinalização. Nesse sentido, parece que a gente conseguiu alinhar um pouco a vida real com o que sai do modelo em termos de preço”, disse.

Influência da carga
Cavaliere afirma que há uma expectativa de que uma eventual queda no consumo de energia no período da Copa do Mundo, que ocorre neste ano, possa aliviar um pouco os preços. Da mesma forma, o especialista diz que é preciso avaliar como o período eleitoral irá impactar na carga. “São fatores que poderiam aliviar um pouco esse preço para baixo. Mas, por enquanto, o driver parece estar realmente para cima”, disse.

Por outro lado, a temperatura pode ser relativamente mais elevada em relação a 2025, algo que tende a elevar o consumo de energia. “Mas hoje, o principal driver é essa questão da chuva. E mantendo o jeito que está hoje, só começa a ficar um pouco mais preocupante.”

Mercado regulado
Os consumidores cativos também devem ser impactados pelo volume baixo das chuvas. Segundo Cavaliere, o PLD elevado aumenta a probabilidade de acionamento das bandeiras tarifárias – cobrança adicional na conta de luz – pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). 

Há ainda a previsão de revisão dos níveis de bandeira tarifária pela reguladora em maio deste ano, diz o especialista, enfatizando que essa atualização é feita conforme o PLD dos anos anteriores. Na sua avaliação, dado o histórico dos preços em 2025, com valores acima da média, a tendência é que o custo da bandeira seja revisto para cima. 

Fred Menezes, da Armor Energia, também projeta bandeira amarela a partir de maio. “No período úmido geralmente é verde porque como você tem muita água, por mais que estejamos usando térmica para segurar reservatório, isso é o suficiente para não ativar a bandeira. Mas eu diria que maio começa a bandeira para não voltar para verde mais no ano”, afirmou.

Já Matheus Machado disse que há uma chance, ainda pequena, de que a bandeira amarela já seja acionada em março. “É uma possibilidade que nunca existe, mas que neste ano começa a aparecer, só que ainda remotamente. Mas se isso se confirmar e março for amarelo, já teremos uma confirmação de que a gente está em crise hídrica, e que 2026 será o pior ano hidrológico de todo o histórico.”

Reserva de Capacidade
Do ponto de vista do planejamento setorial, caso o período úmido com pouco volume de chuvas se concretize, Cavaliere antevê a contratação de térmicas a preços elevados no LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência) previsto para março deste ano. 

“Se a gente pegar dois períodos úmidos muito ruins, a gente basicamente não está falando de um preço de R$ 300/MWh, a gente está falando de um preço de R$ 1.000/MWh, que é o preço de acionar essas térmicas”, diz o especialista.

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