28/04/2026 | 15h22  •  Atualização: 28/04/2026 | 15h50

Petrobras deve reajustar gasolina se Congresso zerar PIS/Cofins

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta terça-feira (28) que a estatal planeja reajustar a gasolina para se aproximar do PPI (Preço de Paridade de Importação) caso o Congresso Nacional aprove o projeto de lei, apresentado pelo governo, que zera impostos federais sobre o insumo mediante compensação via tributos e receitas especiais em cima de produtores de petróleo bruto (IR, royalties e participações especiais etc). A executiva frisou que isso seria feito dentro do limite da isenção, para não implicar em aumento para o consumidor final.

“Seria reajuste de preços Petrobras, mas não reajuste ao consumidor, porque quando você reduz PIS e Cofins, tem espaço para produtores e importadores aumentarem o preço da gasolina sem que esse preço chegue às distribuidoras”, disse.
 
Questionada se haveria chances de o reajuste na gasolina da Petrobras ser feito “nos próximos dias”, Magda indicou que sim, condicionando o movimento à aprovação do projeto legislativo. Mas ela disse acreditar que “o governo federal e os congressistas estão empenhados em entregar valor para a sociedade”. “Acho que está todo mundo na mesma página”, afirmou.

Magda falou a jornalistas durante a inauguração de uma UHP (Usina Híbrida Piloto) da Puc-Rio, em Duue de Caxias (RJ). O projeto integra geração fotovoltaica, a gás natural e diesel, baterias e um módulo de hidrogênio verde.

Segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), hoje a Petrobras vende gasolina às distribuidoras a preço 68% ou R$ 1,70 por litro abaixo do preço de importação da gasolina no Golfo do México (EUA). Nos bastidores, historicamente, a Petrobras contesta esse cálculo de defasagem por uma série de razões, que vão desde a não incidência do preço do frete marítimo sobre o produto fabricado no Brasil e ganhos de escala e operacionais da sua operação. No caso do diesel, pesa, ainda, a presença predominante do diesel russo entre as importações do país há pelo menos três anos.

‘Autossuficiência’
Magda também foi perguntada sobre eventual pressão sobre o preço da gasolina Petrobras, ligada à diferença entre o PPI e a sua tabela. Sem negar uma diferença substantiva, ela lembrou que a companhia tem como política não repassar a volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis, em geral, e admitiu que, no caso da gasolina, há o facilitador operacional de a companhia ser autossuficiente no produto, à diferença do diesel, que por vezes exige importação relevante. 

Ou seja, o preço internacional da gasolina interfere pouco ou nada na Petrobras em termos de custos reais. E, como a estatal é dominante no mercado, isso se reflete em termos de país, fazendo com que as importações nacionais da gasolina sejam apenas residuais, bem menores que as do diesel, em que o país ainda importa entre 20% e 30% do que consome. 

“A gente evita a volatilidade. A gente importa um pouco de gasolina para mexer com mistura. A gente também exporta um pouco de gasolina para isso. Então, no “net” (líquido), o volume de gasolina que a gente produz no Brasil é suficiente para a nossa entrega (às distribuidoras). Então, se você me perguntar se estamos pressionados pela paridade internacional? Nós olhamos sim para a paridade internacional, mas pressionados pelos preços, não. Toda a nossa gasolina é feita aqui. A gente não precisa de importação líquida. Então, o que olhamos é qual é o preço de paridade (de importação) e como a gente pode entregar valor para o nosso acionista”, disse.

Na prática, Magda reconhece que a Petrobras não precisa de importação e não está pressionada operacionalmente, mas observa o PPI a fim de gerar maior receita. “A gente olha para o preço de paridade, a gente segue a tendência do preço internacional, e acreditamos que essa isenção de PIS e Cofins é suficiente para nós, em termos de resposta ao nosso investidor, público (governo) e o privado”, completou.

Tags:

Solicite sua demonstração do produto Boletins e Alertas

Solicite sua demonstração do produto Fornecimento de Conteúdo

Solicite sua demonstração do produto Publicidade e Branded Content

Solicite sua demonstração do produto Realização e Cobertura de Eventos

Inscreva-se no Boletim Semanal Gratuito

e receba as informações mais importantes sobre infraestrutura no Brasil

Cancele a qualquer momento!