06/05/2026 | 10h00  •  Atualização: 06/05/2026 | 10h09

CEO da Latam diz que reajuste parcelado do QAV ‘não resolve custo’

Foto: Latam Brasil

Amanda Pupo, da Agência iNFRA

O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, disse nesta terça-feira (5) que a companhia aérea não aderiu ao programa de reajuste parcelado do QAV (Combustível de Aviação) ofertado pela Petrobras no início do mês passado porque ele não ataca o problema de custo enfrentado pelo setor atualmente. 

Formatado para tentar aliviar o impacto da elevação provocada pela guerra no Oriente Médio, o programa de parcelamento, além de não resolver o problema do valor do QAV, aumentaria o custo do insumo para a companhia, disse Cadier, em referência à cobrança de juros estabelecida no mecanismo.

“Hoje, a Latam Brasil está pagando o dobro para cada litro de QAV do que estava pagando em fevereiro (…) Todas as soluções que vierem para ajudar a lidar com o aumento de custo vão ser bem-vindas e vão ser analisadas. Nesse caso, especificamente, a proposta da Petrobras inclusive aumentava o custo da companhia, porque esse financiamento era com custo acima do que o mercado oferece para companhias como a Latam”, disse em coletiva de imprensa sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre de 2026.  

Como mostrou a Agência iNFRA, o parcelamento não foi aderido pelas distribuidoras até o momento, diante de uma série de empecilhos apontados por este mercado e pelas companhias aéreas para o funcionamento da política. Após reajustar o QAV em quase 55% em abril, para maio, a alta anunciada pela estatal foi de 18%. 

Para o segundo trimestre, a Latam estima que o patamar do QAV pode representar um custo adicional de combustível superior a US$ 700 milhões. O cálculo considera o preço do barril a US$ 170, contra US$ 90 usado como premissa no fim do ano passado. Os valores globais de custo projetado com o insumo não foram compartilhados pelos executivos. 

Sobre o efeito dessas despesas na programação de voos da Latam, a companhia disse ainda não ter registrado um cancelamento significativo de voos, embora impactos já tenham sido sentidos. Para junho, por exemplo, o plano de voos da empresa é quase 3% menor do que o previsto anteriormente. 

A alta do QAV também mexeu nas premissas de guidance da Latam para o ano. O ambiente é classificado pela companhia como bastante volátil, e o impacto real na demanda e no preço das passagens ainda vai depender de como o insumo vai se comportar nas próximas semanas e meses. “O que acontece é que a gente vai observar o mercado, vai observar qual é a resiliência dessa demanda”, disse o CFO (Chief Financial Officer) da Latam, Ricardo Bottas. 

A companhia também tem acompanhado a oferta do QAV, mas por ora não há nenhum risco mapeado de desabastecimento nos destinos onde a Latam opera. 

“A gente continua acreditando na nossa capacidade em função da nossa estratégia e da nossa robustez da operação e do nosso balanço. Estamos bem equipados para enfrentar essa crise [do custo do QAV], mas não deixa de ser uma crise que vai impactar nosso custo de combustível, as premissas de crescimento e a tarifa para o ano”, disse o CEO da aérea. 

No primeiro trimestre, a companhia reportou uma margem operacional ajustada de 19,8% e lucro líquido de US$ 576 milhões. Durante o trimestre, o grupo aumentou sua capacidade em 10,4%, transportando 22,9 milhões de passageiros, um aumento de 9,1% em comparação com o mesmo período de 2025. Esse crescimento foi impulsionado pelo desempenho do segmento internacional e pelo mercado doméstico da LATAM Airlines Brasil, informou a empresa. 

Escala 6×1
Questionado sobre como o fim da escala de trabalho 6×1, em discussão no Congresso, poderia afetar as operações da Latam, Cadier afirmou que a empresa ainda precisa entender exatamente como essa mudança vai ocorrer, já que há “vários” projetos na mesa, e alguns deles incluem aeronautas, tripulantes e pilotos nas mudanças da escala de trabalho.

“O que não faz sentido nenhum”, afirmou o executivo, segundo quem, se tal proposta passar dessa forma, o Brasil não conseguiria operar voos internacionais porque o texto vedaria, na prática, funcionários voando mais de oito horas. “Eu tenho certeza que a gente vai ter oportunidade de fazer os ajustes para que reflita realmente o trabalho específico dessas categorias”, disse.

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