Lais Carregosa, da Agência iNFRA

A crise no segmento de comercialização de energia tem levado a uma migração dos consumidores livres para comercializadoras com lastro, ou seja, com geração própria, afirma a diretora Comercial da EDP, Stella Fuão, em entrevista à Agência iNFRA. “Temos recebido muitos clientes que vieram dessas comercializadoras [menores]”, contou.
A executiva destaca que o braço de comercialização da EDP cresceu nos últimos dois meses, com recordes de venda na comparação com o ano passado. Mas ressalta que esse é um movimento de recuperação, uma vez que a entrada de mais de 100 comercializadoras no mercado livre em 2024, com a liberalização para o restante da alta tensão, reduziu as vendas.
“Existe sim uma migração, muitos clientes buscando solidez, migrando para empresas grandes do setor, empresas confiáveis, muitas comercializadoras buscando parceria para trabalhar com a EDP e, imagino, com a Auren, a Axia, a Cemig, muitas outras empresas”, declarou.
Stella vê também a possibilidade de concentração do mercado de comercialização. “Acho que vai ser um pouco como o mercado de telecomunicações. No início, teve muita oportunidade de empreender e ganhar dinheiro, então muitos empreendedores investiram nesse tipo de negócio. Acho que, no final, vai ficar uns quatro ou cinco grandes players porque o mercado é grande no Brasil”, disse.
Abertura à baixa tensão
Segundo Stella, a EDP tem interesse em atuar na comercialização de baixa tensão, inclusive para o consumidor residencial. Conforme a Lei 15.269/2025, o mercado será aberto aos clientes que hoje compram energia das distribuidoras a partir de 2027.
Ela conta que a estratégia para esse mercado se baseia em três pilares: liberdade de escolha, experiência do usuário e confiança. A diretora destaca ainda parcerias com empresas como operadoras de telecomunicações, bancos e seguradoras, para fazer a interface com o consumidor residencial.
As projeções apontam para 77,7 milhões de unidades consumidoras aptas a migrar para o mercado livre. No entanto, esse movimento não deve ocorrer imediatamente. “Na Europa, demorou 20 anos para de fato migrar e hoje existem ainda muitos clientes no [mercado] cativo.”
Para Stella, a migração deve demorar no Brasil. “Acho que os dez primeiros anos serão de conscientização. Os primeiros a migrar vão ser aqueles que de fato têm a conta de energia pesando nas suas finanças, no seu dia a dia. E aqueles que também têm muita informação, então por isso acho que a parte digital vai ser muito importante”, destacou.






