Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA
O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) decidiu em reunião extraordinária nesta quarta-feira (22) pela antecipação de contratos de cinco termelétricas, seguindo orientações do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). As usinas deverão entregar 1,8 GW (gigawatt) de capacidade a partir de setembro de 2026. A decisão, diz o MME (Ministério de Minas e Energia), visa garantir segurança ao sistema com um melhor custo benefício diante das previsões de El Niño e dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, como os impactos nos preços do diesel e do gás natural.
Quatro dos empreendimentos foram vencedores do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência) de 2026, são abastecidos a gás natural, e tinham previsão de entrega para agosto de 2027 e agosto de 2028. São eles: Três Lagoas (Petrobras), Termomacaé (Petrobras), Termoceará (Petrobras) e Araucária (Âmbar). A quinta usina a ser antecipada, Manaus I (Companhia Energética Amazonense), que utiliza diesel para gerar energia, foi contratada no LRCE (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia) realizado em 2022, e iniciaria a entrega em janeiro de 2027. Com a antecipação, os agentes deverão assinar um termo aditivo de contrato em até 20 dias.
A demanda inicial prevista pelo governo para contratação de entrega de potência em 2026 pelo LRCAP realizado em março era de 4,2 GW, mas com oferta abaixo da idealizada, só foram contratados 2,2 GW. Segundo fontes, a melhor opção na visão do CMSE foi antecipar a contratação desse déficit para evitar a realização de um leilão emergencial ou o acionamento de térmicas merchant, que teriam um custo maior para o sistema. No caso das usinas sem contratos prévios, o governo avalia que o custo seria 25% superior aos valores firmados nos respectivos leilões. Agora, o MME também já estuda antecipar para 2027 contratos de empreendimentos que deveriam entrar em operação de 2028 em diante, diz um interlocutor.
A medida, diz uma fonte com conhecimento no tema, tem potencial de reduzir o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) e, por consequência, evitar o acionamento de bandeiras tarifárias mais caras, como a vermelha.






