Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
Os sistemas de armazenamento em baterias são a nova “namorada” dos bancos na área de energia, afirmou nesta quinta-feira (18) o diretor de Project Finance do banco Santander, Wilson Assofra. Segundo ele, esse posto, que já foi dos projetos de usinas eólicas e solares, tende a ser ocupado em breve pelos chamados microgrids (microrredes), que integram geração de energia, armazenamento e consumo.
“O mercado namora e se divorcia de alguns produtos conforme o tempo. Namorou com eólica e solar e se distanciou um pouco. Agora está namorando BESS, e o próximo podem ser os microgrids”, afirmou em painel do Enase (Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico), que acontece esta semana no Rio de Janeiro.
Segundo Assofra, há capital disponível para os novos projetos ligados ao leilão desse ano ou independentes, oferta essa que foi ampliada justamente pelo “vácuo” deixado pelos projetos de geração eólica e solar. “Além disso, a chegada dos leilões é muito bem-vinda porque há uma necessidade adicional de se alocar capital. Não estamos em fase de experimentação pura, mas também não estamos em um momento de escala. A regulamentação e o mercado têm que ajudar nisso [alocação de capital]. Mas o capital está sim disponível”, disse.
O executivo afirmou que o Santander já tem financiamentos totalizando R$ 4 bilhões para baterias em “várias geografias” e não resta dúvida sobre a tecnologia, só sobre a regulação. “No Brasil a gente entende que os bancos de fomento e comerciais vão replicar neste setor o que fizeram com renováveis, mas com uma série de aprendizados”, diz.
Uma diferença, diz o executivo, é que o ciclo de construção dos projetos de sistemas de armazenamento é mais curto. “Os projetos não podem aguardar seis ou oito meses para análise de crédito. Podemos viver de empréstimos-ponte, mas isso significa custo”.
Outro ponto a ser observado pelos bancos e pelo setor como um todo são as exigências de conteúdo local, que precisam ser antecedidas por uma cadeia de fornecedores existente e segura, capaz de viabilizar os empréstimos.





