18/06/2026 | 17h31

Eneva reitera entrada em leilão de bateria, mas cita cenário ‘prematuro’

Foto: Redes Sociais

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O CEO da Eneva, Lino Cançado, reiterou que a Eneva vai disputar o leilão de baterias, mas sugeriu que o planejamento do setor ainda é prematuro para uma contratação de grande escala e defendeu sinais de preço para instalações independentes.

“Nós temos interesse e vamos participar do leilão. Somos uma geradora e vamos participar em todo investimento que fizer sentido. Bateria não é geração, mas é equipamento de acumulação de energia usado para garantir flexibilidade em um sistema do qual a Eneva participa. Acreditamos que são boas oportunidades”, disse nesta quarta-feira (17) a jornalistas durante o Enase (Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico).

Cançado afirmou que a Eneva mantém conversas com diferentes fornecedores e pretende discutir ofertas com eles, para definir a tecnologia e os locais que fazem mais sentido.

Na linha de outros executivos do setor, Lino defendeu sinais de preço, fora dos limites do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), para estimular a instalação unilateral de sistemas de baterias associados a projetos de geração.

“Se nós tivéssemos uma variação de preço mais livre e não um preço [PLD] mínimo e máximo, os agentes poderiam se remunerar muito mais da variação de preço e dependeriam menos de receita fixa para remunerar os investimentos, que é o caso de como está desenhado hoje o leilão de baterias que está na rua”, afirma.

Segundo Lino, caso houvesse sinais de preço com ‘spread’ (diferencial) suficientemente alto, os agentes que sofrem curtailment teriam interesse em instalar baterias para armazenar o excesso de energia deles mesmos e devolver ao sistema quando necessário – e financeiramente atrativo. “Mas, com PLD máximo e mínimo isso não se justifica no Brasil”.

Prematuro
Cançado citou, também, dúvidas sobre os termos do leilão que tornariam o cenário “prematuro” para escalar essa contratação centralizada de baterias. O mercado espera uma demanda entre 2 GW (gigawatts) e 5 GW de capacidade de armazenamento.

“Um problema citado brevemente aqui [Enase], é que a implementação das baterias deve ter locais onde é valorada de forma diferente. Na portaria tem uma diferença de só 10%. Mas a depender do local onde você colocar essa solução, ela pode não contribuir praticamente com nada para o sistema. Nesse sentido, nós ainda não estamos prontos para fazer uma contratação em grande escala de baterias. Talvez valha fazer uma contratação inicial, entender como isso vai acontecer e complementar estudos para entender onde as baterias realmente fazem mais sentido”, disse Lino Cançado.

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