da Agência iNFRA
A consolidação de uma regulação sofisticada, a ampliação das alternativas de financiamento e a incorporação de novos desafios ligados à sustentabilidade e à resiliência climática dominaram alguns dos principais debates da Bienal das Rodovias 2026. O tom foi dado pelo ministro dos Transportes, George Santoro, que realizou a palestra magna de abertura, e repercutiu nos painéis Visão de Lideranças sobre a “Força da Regulação Brasileira”, e “Financiamento entre o BNDES e o mercado de seguros e de capitais”.
Promovida pela ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), a Bienal das Rodovias 2026 ocorreu nos dias 17 e 18 de junho, em Brasília, e teve cobertura da Agência iNFRA. Acesse o caderno especial completo.
Lideranças públicas e privadas convergiram ao falar que uma regulação capaz de dialogar com a inovação tecnológica e responder às transformações do setor é fundamental para atrair investimentos e viabilizar novos projetos.
Ao citar o pipeline de concessões, Santoro afirmou que a agenda regulatória brasileira incorporou instrumentos de vanguarda, especialmente na área de sustentabilidade, com recursos específicos para projetos de transição energética e resiliência da infraestrutura. Ele ainda destacou que o BNDES teve papel fundamental na estruturação de novos mecanismos de financiamento.
“Conseguimos construir mecanismos nos contratos, modelagens econômicas, estruturas regulatórias bastante sólidas e temos mecanismos de resolução de conflitos, como fizemos na otimização de contratos”, resumiu Santoro.
A percepção de que o ambiente regulatório se tornou um diferencial competitivo para o Brasil foi compartilhada por executivos do setor. Os debatedores do painel “Visão das Lideranças: Qual a força da regulação brasileira?” apontaram avanços na evolução das matrizes de risco, nos mecanismos de revisão contratual, nas repactuações e na capacidade de adaptação dos contratos às mudanças econômicas e operacionais.
Também ganharam destaque temas como segurança viária, incorporação de novas tecnologias e fortalecimento das agências reguladoras. Desafios, entretanto, também foram apontados, como o da reforma tributária.
“A reforma tributária trará impactos na alíquota efetiva percebida pelo setor de concessões. Precisamos ser responsivos”, sublinhou o presidente da ABCR, Marco Aurélio Barcelos, que mediou a mesa, responsável por reunir o CEO do Grupo EcoRodovias, Marcello Guidotti; o diretor-presidente da EPR, José Carlos Cassaniga; e a diretora executiva de Regulatório, Sustentabilidade, Comunicação e Relações Institucionais da Arteris, Giane Luza Zimmer Freitas.
O tema do financiamento também foi abordado em mesa específica sobre o assunto. Representantes do mercado que participaram do painel “Financiamento entre o BNDES e o mercado de seguros e de capitais” destacaram a diversificação das estruturas de capital, o fortalecimento do mercado de debêntures incentivadas e o papel crescente de organismos multilaterais e instituições financeiras na viabilização dos investimentos.
Mas pontuaram também o desafio de se ampliar o acesso a novas fontes para sustentar o volume de Capex contratado para os próximos anos.
Também houve consenso de que a modernização dos contratos, associada ao aperfeiçoamento dos instrumentos de reequilíbrio econômico-financeiro e das repactuações, tem sido fundamental para destravar aportes e preservar a atratividade dos projetos de longo prazo.





