23/06/2026 | 08h34  •  Atualização: 23/06/2026 | 10h24

Regulação madura e contratos modernos são destaque em Bienal das Rodovias

Foto: Divulgação/ABCR

da Agência iNFRA

A consolidação de uma regulação sofisticada, a ampliação das alternativas de financiamento e a incorporação de novos desafios ligados à sustentabilidade e à resiliência climática dominaram alguns dos principais debates da Bienal das Rodovias 2026. O tom foi dado pelo ministro dos Transportes, George Santoro, que realizou a palestra magna de abertura, e repercutiu nos painéis Visão de Lideranças sobre a “Força da Regulação Brasileira”, e “Financiamento entre o BNDES e o mercado de seguros e de capitais”.

Promovida pela ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), a Bienal das Rodovias 2026 ocorreu nos dias 17 e 18 de junho, em Brasília, e teve cobertura da Agência iNFRAAcesse o caderno especial completo.

Lideranças públicas e privadas convergiram ao falar que uma regulação capaz de dialogar com a inovação tecnológica e responder às transformações do setor é fundamental para atrair investimentos e viabilizar novos projetos.

Ao citar o pipeline de concessões, Santoro afirmou que a agenda regulatória brasileira incorporou instrumentos de vanguarda, especialmente na área de sustentabilidade, com recursos específicos para projetos de transição energética e resiliência da infraestrutura. Ele ainda destacou que o BNDES teve papel fundamental na estruturação de novos mecanismos de financiamento. 

“Conseguimos construir mecanismos nos contratos, modelagens econômicas, estruturas regulatórias bastante sólidas e temos mecanismos de resolução de conflitos, como fizemos na otimização de contratos”, resumiu Santoro. 

A percepção de que o ambiente regulatório se tornou um diferencial competitivo para o Brasil foi compartilhada por executivos do setor. Os debatedores do painel “Visão das Lideranças: Qual a força da regulação brasileira?” apontaram avanços na evolução das matrizes de risco, nos mecanismos de revisão contratual, nas repactuações e na capacidade de adaptação dos contratos às mudanças econômicas e operacionais.

Também ganharam destaque temas como segurança viária, incorporação de novas tecnologias e fortalecimento das agências reguladoras. Desafios, entretanto, também foram apontados, como o da reforma tributária. 

“A reforma tributária trará impactos na alíquota efetiva percebida pelo setor de concessões. Precisamos ser responsivos”, sublinhou o presidente da ABCR, Marco Aurélio Barcelos, que mediou a mesa, responsável por reunir o CEO do Grupo EcoRodovias, Marcello Guidotti; o diretor-presidente da EPR, José Carlos Cassaniga; e a diretora executiva de Regulatório, Sustentabilidade, Comunicação e Relações Institucionais da Arteris, Giane Luza Zimmer Freitas.

O tema do financiamento também foi abordado em mesa específica sobre o assunto. Representantes do mercado que participaram do painel “Financiamento entre o BNDES e o mercado de seguros e de capitais” destacaram a diversificação das estruturas de capital, o fortalecimento do mercado de debêntures incentivadas e o papel crescente de organismos multilaterais e instituições financeiras na viabilização dos investimentos.

Mas pontuaram também o desafio de se ampliar o acesso a novas fontes para sustentar o volume de Capex contratado para os próximos anos.

Também houve consenso de que a modernização dos contratos, associada ao aperfeiçoamento dos instrumentos de reequilíbrio econômico-financeiro e das repactuações, tem sido fundamental para destravar aportes e preservar a atratividade dos projetos de longo prazo.

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