18/08/2026 | 11h01  •  Atualização: 18/08/2026 | 11h07

Vale propõe a presidenciáveis elevar produção mineral para R$ 535 bi até 2035

Foto: Vale

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

A Vale entregará aos candidatos à Presidência da República da disputa eleitoral de 2026 a estratégia de políticas públicas que pode elevar a produção mineral no Brasil de R$ 312 bilhões por ano para R$ 535 bilhões em 2035. O estudo foi lançado nesta terça-feira (18) em evento do setor, em Brasília, com a participação do presidente da mineradora, Gustavo Pimenta.

Confirmadas as premissas colocadas no relatório “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, o setor poderá contribuir com o aumento da arrecadação fiscal de R$ 750 bilhões, registrados na última década, para R$ 1,3 trilhão no ciclo de 2026 a 2035. Além disso, o número de postos de trabalho na mineração poderá crescer dos atuais 3 milhões para 5,3 milhões em dez anos.

Na divulgação oficial, o presidente da Vale afirmou que o documento apresenta “caminhos para impulsionar o crescimento do país”, aproveitando a “janela de oportunidade global” e destravando o “enorme potencial minerário” no país.

A estratégia, elaborada com a consultoria Accenture, reúne contribuições para estimular investimentos no setor por meio de avanços institucionais e aperfeiçoamento do ambiente de negócios. O estudo aponta para 15 iniciativas estratégicas divididas em quatro agendas prioritárias.

As agendas prioritárias são: Licenciamento e Fundamentos da Mineração (conhecimento geológico, gestão de títulos minerários e previsibilidade no licenciamento); Cadeia Mineral Integrada (infraestrutura, disponibilidade de energia, processamento mineral e domínio tecnológico ao longo da cadeia); Ambiente de Negócios e Segurança Institucional (aspectos regulatórios, institucionais, financeiros e tributários); e Valor Compartilhado (agenda de impacto positivo e geração de valor social e ambiental para as comunidades/territórios).

Megatendências
O levantamento aponta seis megatendências que vão gerar oportunidades para crescimento do setor de mineração: 1) transição energética/eletrificação; 2) AI/data centers; 3) descarbonização industrial; 4) reconfiguração geopolítica/nacionalismo de recursos; 5) segurança alimentar/fertilizantes; e 6) economia circular/mineração urbana.

Minerais críticos
Parte do estudo é dedicada a oportunidades relacionadas à exploração de minerais críticos. O levantamento estima que essa classe de minerais produzida no Brasil, essenciais para a produção de veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas, pode evitar emissões de 1,6 a 2 gigatoneladas de CO2 equivalente por ano no mundo até 2050.

Por meio do documento, a Vale defende a implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Atualmente, o arcabouço legal está com a tramitação parada no Senado.

Ao considerar projeções internacionais, o estudo indica que, até 2035, haverá forte aceleração da demanda global por minerais críticos, com alta de 493% por lítio, 245% por grafita, 105% por cobalto, 99% por níquel, 89% por terras raras, 44% por cobre e 36% por ferro de alto teor.

Cavernas
Outra mudança de regras no setor está relacionada ao tratamento de cavernas que, em muitos casos, impedem o avanço de projetos de mineração. Neste caso, o governo já prepara uma minuta de decreto para tratar do tema, que passa por análise final na Casa Civil.

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