11/09/2026 | 10h06  •  Atualização: 11/09/2026 | 11h36

Sabesp prevê pico de obras em junho de 2027, com redes e rios revitalizados

Foto: Prefeitura de Praia Grande

Beatriz Kawai, da Agência iNFRA

O volume de obras da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) previsto para 2027 deve atingir seu pico em junho, com 3,2 mil obras, incluindo operações com troca de redes e investimentos de revitalização dos rios Tietê e Pinheiros. Os dados são da companhia.

A previsão para o mês que encerra o primeiro semestre do próximo ano representa mais que o dobro das frentes em curso em 2026, de 1,5 mil. Para a projeção anual de 2027, a ex-estatal não fechou a estimativa, de acordo com a diretoria de Operações e Engenharia.

Hoje, a companhia de saneamento se encontra num ciclo de investimentos na ordem de R$ 16,8 bilhões, incluídos na previsão de R$ 40,5 bilhões em projetos contratados até 2029 – ano em que a Sabesp se comprometeu a entregar os níveis de universalização nos municípios onde opera. No primeiro semestre deste ano, os investimentos somaram R$ 7,5 bilhões, 15,6% superior ao registrado um ano antes.

Se cumprir a projeção, a companhia terá atingido a meta de universalização quatro anos antes do prazo estabelecido pelo marco legal de saneamento, de 2020, que exige 99% da população com acesso à água potável e 90% do país com serviço de esgotamento sanitário até 2033.

O compromisso de chegar a esses índices em 2029 nas 376 cidades atendidas foi assumido pela companhia após o processo de privatização concluído em 2024, quando a Equatorial tornou-se o investidor de referência da empresa, com a compra de uma fatia de 15% da Sabesp.  

Integra Tietê
Um dos eixos aplicados pela empresa para fornecer universalização é o programa Integra Tietê. Ele busca ampliar as atividades de coleta e tratamento de esgoto e recuperar a saúde ambiental do rio Tietê, o principal do estado paulista, que sofre com contaminação crescente desde a década de 1920.

Das obras do programa, uma tubulação subterrânea ao rio deve ser concluída em abril do próximo ano. A estrutura é um sifão subterrâneo, a cerca de 30 metros de profundidade e com 120 metros de extensão. A expectativa é de que ele transporte esgoto de três cidades à ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Barueri. A implantação do componente hidráulico demanda R$ 21,5 milhões.

Segundo a Sabesp, a estrutura viabilizará novas ligações à rede, apoiará a expansão da coleta e tratamento de esgoto e contribuirá para a recuperação da qualidade das águas do rio Tietê. A ex-estatal prevê que a medida beneficiará 84 mil habitantes.

“Em obras subterrâneas de alta complexidade, a segurança é uma premissa fundamental e inegociável, exigindo um rigoroso controle de escavação, monitoramento constante do solo e processos extremamente precisos”, disse o engenheiro responsável pela obra, Marcelo Jesus.

Universalização
Em paralelo ao sifão, a revitalização do rio deve ter ajuda dos esforços para universalizar o saneamento em Guarulhos, a segunda maior cidade do estado. O município, que comporta o maior e principal aeroporto do país, tinha 3% de seu esgoto tratado até 2019 e era visto como um dos principais poluentes do Tietê – representando 63 bilhões de litros de esgoto despejados impropriamente por mês.

A companhia espera que o serviço de tratamento de esgotamento, que hoje já atinge 40% da população, supere a marca de 70% no próximo ano. A partir de 2027, será adotada uma estratégia de metas de universalização por município, em vez de regiões, e, em 2028, terão metas por recortes – de saneamento formal, informal e rural.

Tanque de aeração
Ainda no plano de investimento, R$ 250 milhões estão sendo direcionados à aplicação de ferramentas de inteligência artificial na ETE ABC – que atende os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá e parte da capital paulista.

A ideia é otimizar a operação dos tanques de aeração, responsáveis por injetar oxigênio no sistema, a fim de alimentar os microrganismos que consomem bactérias e atuam na degradação de matéria orgânica presente no esgoto.

Na prática, a inteligência artificial é usada para monitorar as condições operacionais e ajustar o funcionamento dos sopradores – que injetam o ar –, para controlar fornecimento de oxigênio e ter ganhos de eficiência. A etapa de aeração concentra por volta de 70% de todo o consumo de energia da estação.

“Qualquer ganho de eficiência representa um impacto significativo”, comentou o coordenador da ETE ABC, Rodrigo Alves. A projeção é de que a obra seja concluída no primeiro semestre de 2028. Na estimativa da Sabesp, as obras de expansão permitirão o dobro da capacidade de atendimento da planta, para 3 milhões de habitantes, contra o 1,4 milhão atendido hoje em dia.

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